Quando dizemos que tudo faz parte de um projeto, muitos nos rotulam como ideológicos demais, ou militantes em excesso. Mas basta observar com atenção o que tem acontecido nos últimos anos com o Hospital Regional para entender: há, sim, um plano em curso. E ele tem nome — neoliberalismo — e um objetivo: desmontar o serviço público e entregá-lo ao setor privado.
O que está em curso no Hospital Regional, promovido pelo Governo do Estado, não é acaso, nem má gestão pontual. É o resultado de uma política pensada para enfraquecer o SUS, esvaziar sua capacidade, desvalorizar os trabalhadores e, assim, justificar a terceirização como “solução”.
A terceirização no SUS fere a própria lógica das políticas públicas de saúde. A saúde é um direito constitucional, um bem coletivo, e não uma mercadoria a ser negociada na vitrine do mercado. O que está em jogo é a vida das pessoas.
Vale lembrar: a legislação que regula o SUS prevê que o Terceiro Setor — como Organizações Sociais e Oscips — atuem de forma complementar, e não substitutiva ou absoluta. Quando o Estado transfere quase toda a gestão e execução dos serviços para essas entidades, ele rompe com o princípio da universalidade, integralidade e equidade que fundamenta o SUS.
É preciso que a sociedade esteja atenta. O desmonte dos hospitais públicos, a precarização dos serviços, a desvalorização dos profissionais de saúde não são falhas técnicas — são escolhas políticas. E como toda política, podem e devem ser contestadas.
É momento da população se manifestar. Nos Conselhos de Saúde, nas associações de moradores, nas igrejas, templos e comunidades. Porque a saúde é um direito de todos e dever do Estado — e a defesa do SUS começa com a nossa voz.










