*Lucas Athanásio Rosa Ribeiro

A toxoplasmose é uma doença causada pelo Toxoplasma gondii e é uma das doenças que mais possuem pacientes. Apesar da infecção da doença ser assintomática, um quadro crônico pode levar a sérios problemas de saúde como uma resposta imunológica ineficiente. Devido ao grande número de infectados com a doença, cada vez mais vem sendo procurado uma vacina que auxilie no tratamento dos pacientes crônicos. Até o momento, há apenas uma vacina sendo comercializada, mas sua administração ocorre apenas em ovelhas. Mas partindo do mesmo princípio dessa vacina para ovelhas, estudos estão sendo realizados para se chegar numa vacina humana que seja eficiente e com custos aceitáveis.

Um estudo em destaque é o realizado por pesquisadores da universidade de Lodz, na Polônia, que mostrou resultados promissores na procura de uma vacina para a Toxoplasmose. Eles utilizaram três vacinas multi-antigênicas de subunidade compostas do antígeno de superfície principal de taquizoítos (SAG1), proteínas de roptrias (ROP2 e ROP4) e a proteína do grânulo secretor denso (GRA4). A SAG1 é altamente imunogênica em humanos, além de ser capaz de induzir uma resposta humoral forte em camundongos. As ROP2 e ROP4 participam no processo de penetração do parasita no corpo do hospedeiro, além de estar presente nos três estágios de vida do parasita.

A GRA4 tem papel importante durante a penetração da célula e na sobrevivência do parasita, além de estimular o sistema imune. Os pesquisadores fizeram várias combinações dessas subunidades e realizaram o teste em camundongos. Cada grupo de animais recebeu três vacinas subcutâneas de um determinado coquetel com o adjuvante de Freund, com um intervalo de duas semanas entre elas. O grupo controle recebeu tampão fosfato-salino (PBS) com o adjuvante, no mesmo intervalo de tempo. Para analisar a efetividade do coquetel, duas semanas após a última injeção de boost, os camundongos receberam intraperitonialmente cinco cistos de T. gondii, para ver se esses cistos conseguiam se desenvolver naquele organismo vacinado.

Os resultados mostraram que todos os coquetéis reduziram significantemente o número de cistos cerebrais, se comparados com o grupo controle. A estimulação in vitro de esplenócitos (células do baço) mostrou uma pequena, mas significante, resposta proliferativa antígeno-específica e, em relação à liberação de sinalizadores que melhoram a resposta imune, todos os coquetéis mostraram um aumento nessa liberação.

Concluindo, os coquetéis apresentam uma proteção parcial intensa contra a invasão da toxoplasmose crônica. Entretanto, não dá para analisar ainda a viabilidade de produção dessa vacina, pois mais estudos em camundongos ainda são necessários para melhorar o potencial da vacina, utilizando outros adjuvantes ou novos antígenos na sua formulação.

*Lucas Athanásio Rosa Ribeiro

Diretor Financeiro da Biotec Jr. – Gestão 2012

Biotec Jr. – www.biotecjr.com

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