
Por Ulisses Coelho
Os dias quentes de verão são intermináveis. Claro que o horário adiantado em uma hora colabora, e muito, para a sensação de que o sol brilha por mais tempo no firmamento. Dias abafados! O piche do asfalto parece se transformar numa negra e fervente areia movediça. Experiências tão acaloradas sugerem um aumento considerável no índice de transpiração, assim sendo, o número de banhos sobem proporcionalmente.
Pelo menos umas três vezes por dia repito esse úmido processo. Na realidade, muito mais me molho do que tomo banho, posto que aquela higiene com sabonete, bucha e xampu acabo fazendo mesmo uma vez por dia. Nas outras, fico por alguns minutos deixando que a água fresca escorra pelo meu corpo contribuindo para uma considerável queda de sua temperatura. Deliciosa sensação…
Os romanos se destacaram pelo amor e apreço para com o banho. As termas, palavra que vem do latim thermae e significa banho público, foram umas das marcas do Império. Essas termas constituíam espécies de shopping center romano. As famosas termas de Caracalla, em Roma, tinham capacidade para 1600 pessoas e possuía lojas, museu, jardins, biblioteca, estádio, enfim, uma diversidade de entretenimentos. Homens e mulheres tomavam seus banhos em turnos separados, pois as mulheres que apareciam no horário masculino eram consideradas putas e sujavam sua reputação na cidade.
Putas não têm reputação, por mais absurdo e contraditório que isso soe…
Firmeza mesmo é tomar banho de chuva! No período da infância, temos esses comportamentos mais respeitosos com a nossa natureza. Meus contatos mais ungidos com a chuva não tem sido agradáveis, simplesmente por coincidirem com alguma urgente andança de moto. Infelizmente chuva e moto não se combinam.
Entretanto, muitas vezes vejo o banho como um símbolo. Os banhos medicinais, com aqueles sais e pétalas de flores, têm como objetivo o relaxamento e a cura de algum estresse ou doença. Representam o lavar as impurezas do corpo que não só as físicas e perceptíveis sensorialmente.
O filósofo Rousseau opinava que a higiene, mais do que a ciência reflete a própria virtude. Por isso aconselho o banho como um ritual de passagem de ano. No último dia de 2010, quando estiver no que julgar a derradeira ducha, comece a pensar que todos os azares do ano estão escorrendo pelo ralo.
Feliz ano novo!
Ulisses Coelho









