
Por Ulisses Coelho
Sempre quis saber o que se passa dentro de uma lata de extrato de tomate. Em seu interior, curtido nos mais poderosos conservantes, o tomate em si passa o resto de seus dias. Com a sua vermelha e perseverante paciência espera o magnânimo instante em que o feroz abridor de latas os reapresentem à luz de seu último dia.
Uma coisa me intriga com bastante força. Acompanhem meu raciocínio… Todo extrato de tomate tem um prazo de validade, a pergunta é: O que acontece dentro da latinha entre as 23h59min e 00h00min do dia estipulado para que o produto esteja vencido? Será que os produtos que eram conservantes passam a ser agressivos?
O atacante Ronaldo teve seu prazo de validade vencido. Uma carreira de jogador de futebol que dispensa comentários, pois foi marcada por grandes vitórias, superações e, é claro, derrotas. Qual é o ser humano que não passa por derrotas? Enfim, trata-se de um jogador diferenciado.
O baixo rendimento nos jogos mais recentes e o duelo com a balança, aparentemente, foram as razões da aposentadoria do jogador. Entretanto, algumas considerações precisam ser colocadas.
Quanto ao problema do peso, Ronaldo alegou a doença do hipotireoidismo, dizendo que as doses hormonais necessárias seriam acusadas nos exames anti-dopping. Agora é que entra a polemica, vários jogadores passam pelo mesmo tratamento contra esse mal, conseguem manter a forma e os remédios não atingem níveis de serem considerados proibidos para a praticado futebol. O atleta Carlos Alberto, que hoje atua pelo Grêmio de Porto Alegre, passa pela mesma enfermidade, mantém a forma e não interfere nos exames de dopagem.
Afinal, o que “venceu” o prazo de validade do Ronaldo?
Aponto um conjunto de fatores. Começa que ele não se interessa mais em emagrecer (futuro financeiro garantido); também o avanço da idade, pois mesmo que se fizesse um regime satisfatório a partir de agora, evidentemente, mesmo magro faria as jogadas que fizera outrora, mas seria cobrado por ser o Ronaldo; e o ponto mais importante, a injusta cobrança de uma torcida que se diz fiel, acostumada às derrotas na Copa Libertadores, em cima das desvantagens físicas que o Fenômeno está apresentando.
No Brasil aposentar-se significa cair no esquecimento e nas unhas da previdência social, duas coisas que não vão acontecer com Ronaldo, mas que a campanha para o pendurar das chuteiras, creio que inconscientemente, acabou fazendo. Essa mentalidade é implícita no discurso que prega a aposentadoria do atacante. Vícios arraigados em nossa preconceituosa cultura.
Os aposentados da previdência permanecem no limbo e a camisa 9 da seleção brasileira continua vaga…
Ulisses Coelho









