O uso de celulares e outras telas em excesso entre a população idosa, tem chamado a atenção de especialistas. Segundo artigo publicado pelo Instituto de Longevidade, esse comportamento, muitas vezes visto como inofensivo, já impacta a saúde mental e os relacionamentos.
De acordo com a publicação, passar muitas horas no celular, deixar de lado atividades do dia a dia e apresentar irritação ao ficar sem internet são sinais de dependência digital. o artigo explica que “pessoas idosas não estão imunes” a esse tipo de comportamento.

Impactos na saúde mental
Segundo estudos citados, como o da Universidade Federal de Minas Gerais, o uso excessivo de telas está relacionado a problemas como estresse, ansiedade e depressão. Entre idosos, a situação pode ser mais delicada, já que muitos já enfrentam isolamento social.
O psiquiatra Rodrigo Machado afirma que “a tecnologia vem para preencher esse buraco de uma vida que está mais esvaziada de atividades e de vínculos sociais”. Segundo ele, “aquele idoso que abusa da tecnologia, muitas vezes já tem sintomas depressivos”.
Idosos mais conectados
Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística mostram que o número de idosos conectados cresceu nos últimos anos. Segundo o órgão, a parcela de pessoas acima dos 60 anos que usam internet passou de 44,8% em 2019 para 66% em 2023, aumento impulsionado principalmente pela pandemia.

Reflexos no convívio familiar
O problema também afeta o convívio familiar. Segundo a publicação, há casos de idosos que passaram a sair menos de casa após o uso frequente de aplicativos e redes sociais. O médico Aderbal Vieira Jr. destaca que o problema não está no aparelho em si, mas na forma de uso:
“O problema do celular é que ele tem internet. Só que ninguém é viciado em celular para fazer ligação telefônica”, afirma. Ele também ressalta a importância de olhar para o ambiente familiar: “às vezes você precisa fazer intervenção também nessa família”.
Riscos de golpes e desinformação
Outro ponto de preocupação é a exposição a golpes e desinformação. Segundo o presidente da Associação Brasileira de Apoio à Terceira Idade, Álvaro Sena Filho, muitos idosos ainda não têm familiaridade com recursos básicos de segurança digital: “A pessoa começa usando redes sociais sem entender como configurar o aparelho, sem saber reconhecer golpes”, alerta.
Tratamento e prevenção
Segundo o artigo, o tratamento passa por acompanhamento especializado e mudanças de hábito, com estímulo a atividades fora das telas, como leitura, exercícios e convivência social. A orientação é buscar equilíbrio no uso da tecnologia.
De acordo com o Instituto de Longevidade, o crescimento do uso de telas entre idosos reforça a necessidade de atenção e conscientização para evitar prejuízos à saúde mental e aos relacionamentos.

