Nesta quarta-feira, 15 de fevereiro é celebrado o Dia Internacional de luta contra o Câncer Infantil. Segundo a Organização Mundial da Sáude (OMS), a cada três minutos uma criança morre de câncer; a cada ano, mais de 300 mil crianças com idade entre 0 a 19 anos são diagnosticadas com câncer em todo o mundo.
Arthur Cardoso Colhante de Souza de apenas 5 anos, vivenciou dias e um ano intenso lutando contra um tipo agressivo de câncer conhecido como linfoma de Burkitt.
“Ver nosso pequeno vivenciar tantas dores, procedimentos invasivos, nervosismo e até desespero quando via alguns profissionais entrando no quarto do hospital, porque ele já sabia o que o aguardava, deixava o nosso coração despedaçado”.

Esse é o relato do assisense Ary Souza Júnior e sua esposa Carolina Cardoso Colhante de Souza, pais de Arthur, após viverem uma longa batalha contra a doença de seu filho.
Em entrevista ao Portal AssisCity, os pais puderam compartilhar uma linda história de cura e superação, nesta data tão importante de conscientização. A descoberta foi feita quando Carolina e Ary estavam à espera da filha, Sophia, atualmente com um ano de idade.

No final de janeiro de 2021, auge na pandemia de COVID-19, os pais contam que Arthur começou a reclamar de dores abdominais e que com isso solicitaram exames para a pediatra para que já fossem à consulta com algo em mãos. Devido a pandemia o atendimento foi adiado e o casal procurou outros profissionais.
Primeiros resultados[/size]
Segundo os pais de Arthur, os exames solicitados apresentavam resultados dentro da normalidade, bem como o exame clínico. “A princípio, um médico disse que poderia ser algo emocional, por conta do isolamento na pandemia e pelo fato de a Carol já estar gestante, esperando Sophia”, conta Ary.

Na época, o médico receitou um tipo de calmante, um remédio para o estômago e para dor, porém, sem resultado. A situação foi se agravando e o Arthur, “que sempre se alimentou muito bem, foi deixando de comer, nem água conseguia tomar. Começaram os vômitos mesmo sem se alimentar e aquele menino, cheio de vida já não brincava mais”, explica o pai.
Após inúmeras idas ao médico, solicitando outros exames e preocupados de que fosse algo mais grave, os pais ouviam que “não era necessário”. O garoto tomava medicações para dor a cada duas horas e nada resolvia.

Nova opinião[/size]
Não satisfeitos e incomodados de que sim, que tinha algo muito errado, os pais contam que procuraram uma nova opinião, desta vez, com um gastropediatra, que disse se tratar de alergia à proteína do leite e também não viu necessidade em solicitar novos exames.
“Cortamos da dieta do Arthur tudo o que pudesse conter leite, apesar dele mal se alimentar, mas de nada adiantou. Nos incomodava a falta de iniciativa desses médicos em solicitar exames mais detalhados. Chegamos a perguntar sobre isso, mas parece que essa “intromissão” até irritou um desses médicos”, desabafa Ary.
Três meses depois[/size]
Em abril, ainda sem nenhum diagnostico preciso, Arthur passou a frequentar repetidamente o pronto atendimento, o que deixava os pais ainda mais aflitos.
Em uma dessas idas ao hospital, segundo Ary, em uma noite que passaram internados com o filho sentindo muitas dores, foi indicado a eles uma nova médica.
Após a consulta, no outro dia, finalmente, foi solicitado uma internação imediata para exames mais profundos e certeiros.

Esses exames constataram uma invaginação intestinal e Arthur precisou passar por uma cirurgia de emergência, onde foram retiradas partes dos intestinos grosso e delgado e ali havia uma massa, que foi enviada à biópsia.
Arthur se recuperou da cirurgia e, em maio receberam o resultado da biópsia, o linfoma de Burkitt, estágio III, risco intermediário.
Nova fase e tratamento[/size]
Depois de meses buscando um diagnóstico, realizando exames, indo e voltando de hospitais, sem nenhum sucesso, começava então, uma nova era na vida dessa família.
Mesmo com a falta de atenção dos médicos em investigar melhor o caso, a história é marcada pelo empenho dos pais em descobrir o que estava acontecendo.

“Eu daria um crédito extra à Carol, pois, desde as primeiras reclamações de dores, ela já desconfiou de que se tratava de algo que precisava ser visto com atenção e, com isso, nós nos mobilizamos e fizemos o que estava ao nosso alcance para chegar ao diagnóstico”, comenta Ary.
Ao iniciar o tratamento, que durou entre maio e setembro de 2021, Arthur foi submetido a cinco ciclos de quimioterapia além de inúmeros exames e coletas de material para biópsia e colocação de portocath (acesso subcutâneo por onde ele recebia as medicações).
Segundo seus pais, as internações eram longas, duravam semanas e até mais de um mês. Nada foi fácil, principalmente por se tratar de uma criança de na época, 3 anos de idade.
Com o tratamento vieram os efeitos colaterais. “Houve intercorrências, como uma infecção por bactéria, que foi controlada com antibiótico, mas que segurou o Arthur por semanas no hospital, e também uma reação inesperada a uma medição, que pegou a todos de surpresa”, lembra Ary.
Contudo, em meio a tantas batalhas, o Arthur nunca deixou de sorrir, de brincar, de conversar e de viver intensamente. “Nos impressionou a resiliência com que ele enfrentou todo esse processo”, afirma o pai.
Cura[/size]
Diante dessa jornada, o que não faltou para Ary e Carolina foi fé em Deus. “Isso que nos manteve em pé todos os dias. E essa fé não foi abstrata, mas foi vivenciada na prática por nós, porque inúmeras pessoas, familiares, amigos, irmãos de comunidade, gente de perto e de longe, carregaram com a nossa família esse peso e essa presença cheia de amor de tanta gente, nos trouxe alívio, até quando pudemos contar a todos que o Arthur estava curado”, conta Ary.
Hoje, um ano e quatro meses após a alta, Arthur ainda passa por acompanhamento médico trimestralmente, mas leva uma vida totalmente normal, brincando, conversando, crescendo e aprendendo, agora, na companhia da irmã mais nova, Sophia.

Os pais também alertaram sobre a presença atenta no dia a dia da criança, para prevenir e diagnosticar precocemente o câncer e outras doenças.
“Não podemos menosprezar as reclamações de dores e outros sintomas incomuns, é importante conhecer os pequenos que estão à nossa volta para perceber quando há algo acontecendo. E, aí primeiro sinal de anormalidade, é necessário mobilizar o que estiver ao alcance em busca de respostas”, completa o pai.
Gratidão[/size]
E para finalizar, Ary e Carolina fizeram um agradecimento especial à Deus, que segundo eles, os manteve com o coração cheio de esperança e vida:
“Também agradecemos aos nossos familiares e a tanta gente querida que nos deu suporte nos momentos mais difíceis da jornada. E não podemos deixar de mencionar toda equipe de oncopediatria da Santa Casa de Prudente, que do início ao fim, nos atendeu com excelência”.

“Para quem está vivenciando essa luta hoje, a nossa oração é para que não percam a fé! E para quem está perto de famílias que receberam um diagnóstico desse, seja suporte, esteja presente, seja acolhedor”, finaliza Ary.
Dia Internacional de luta contra o Câncer Infantil[/size]
A data é marcada pelo grito mundial para a conscientização do câncer em crianças e adolescentes, educando o público em geral e profissionais de saúde, para favorecer o acesso aos melhores tratamentos e medicamentos, em qualquer lugar do mundo. Além de expressar apoio aos sobreviventes e suas famílias.

