A região do Vale do Paranapanema, imortalizada na obra “As Terras Devolutas do Vale do Paranapanema”, é um tesouro escondido com inúmeras opções de lazer que, infelizmente, estão sendo negligenciadas. Como um filho dessa terra, lembro-me das idas ao Balneário Municipal de Paraguaçu Paulista, ao Balneário de Rancharia, Borá, Quatá, Salto Grande, entre outros. Esses espaços eram mais do que simples pontos turísticos; eram o coração da comunidade, gerando renda e promovendo o bem-estar social.
No entanto, duas cidades que já foram referências nesse sentido, Cândido Mota e Assis, estão sofrendo de dois dos seus principais patrimônios. O Balneário do Porto Almeida, em Cândido Mota, e o Ecolago (antigo Horto Florestal), em Assis, são exemplos gritantes de como o fechamento desses espaços nos tira referências de lazer e qualidade de vida. Lugares que já foram o orgulho da população local, hoje são apenas sombras do passado, com construções deteriorando e sem qualquer perspectiva de revitalização, ainda que diversas matérias jornalistas de 2025 apontam que o Ecolago passa por reformas.
O mais alarmante é que esse abandono ocorre em um momento em que o direito ao lazer é constitucionalmente garantido no artigo 6º da Constituição Federal. Como é possível que, em uma região com tantas belezas naturais e potencial turístico, os governantes permitam que esses espaços sejam deixados à própria sorte? A resposta talvez seja simples: falta de vontade política.
Com as eleições se aproximando, é hora de cobrar dos candidatos e dos atuais representantes que se comprometam com a reforma e a retomada desses espaços. Não é um pedido de luxo, é um direito básico. E o dinheiro existe. Os mais de 50 bilhões de reais aprovados para emendas parlamentares em 2026 são uma prova de que, quando há vontade, há recursos.
A região do Vale do Paranapanema merece melhor. Merece ter seus espaços de lazer revitalizados, suas economias locais impulsionadas e, acima de tudo, merece que seus governantes sejam cobrados por suas ações ou falta delas. É hora de resgatar o que é nosso, de exigir que o direito ao lazer seja respeitado e de mostrar que uma possível negligência não pode ser tolerada.
A mobilização é a chave. É preciso que a população se uma. Organizados, podem contribuir para que vereadores e prefeitos sejam pressionados a agir. O futuro do lazer de parte do Vale do Paranapanema depende disso. Não podemos mais permitir que nossos espaços fiquem como estão. Através disso, resgatar o que é mais valioso: a qualidade de vida e o bem-estar da nossa gente.










