Todo ciclista tem um momento de iluminação. Alguns encontram a luz no topo de uma montanha. Outros, no final de uma subida interminável. Já o ciclista peba, aquele ser humano que treina pouco e reclama muito, encontra a luz quando olha o calendário e percebe que mês que vem tem mais uma prova/desafio e que pode ser a última do ano.

Sim, senhoras e senhores, o fim do ano praticamente está chegando. Dez meses de pedal depois e o atleta amador que habita em mim continua firmemente estabelecido no sofá. Treinos? Poucos. Provas? Algumas. Performance? Bom, digamos que o grande destaque de 2025 foi não cair da bike (ainda).

O ciclista peba é um especialista em procrastinação esportiva. Ele treina assim: não treina. Acorda, olha pela janela, vê o vento balançando as árvores e pensa: “Com esse vendaval, não tem como”. No dia seguinte, acorda, vê que está sem vento e pensa: “Sem vento é treino chato, deixo pra amanhã”. E assim, entre “vendavais” e desculpas criativas, o tempo vai passando.

A verdade é que o peba se acostumou a treinar nas provas. Ou seja: em vez de chegar preparado, chega pra sofrer ao vivo, de preferência na frente de testemunhas. E quem já viu um peba no meio da prova sabe: começa o pedal sorrindo, termina rezando para acabar logo.

Agora, com o 4º Pedal Solidário de Assis batendo à porta, bate também a culpa – e, pior, a vergonha. Porque, convenhamos: dez meses já se passaram. Dez meses de um 2025 que começou com os discursos do tipo “agora vai”, “esse ano é meu ano”, “vou treinar sério” e “sem cerveja na véspera de prova” (mentira descarada).

A meta agora é modesta: terminar 2025 com honra. Algo que, convenhamos, ainda não aconteceu em nenhuma prova até agora. A estratégia de treino está clara: levantar da cama, fingir que está motivado, lutar contra o vento e pedalar. Nem que seja com cara de quem foi expulso do sofá à força.

Porque, sejamos sinceros: ninguém lembra do seu tempo na prova. Mas todo mundo lembra daquele sujeito que chegou ofegante, se arrastando e abraçado na garrafinha de isotônico, sendo ultrapassado até pelos mosquitos. E este ano, jurei solenemente que esse sujeito não serei eu… de novo.

Felizmente o 4º Pedal Solidário Força no Pedal de Assis tem um propósito que vai muito além da linha de chegada. O evento vai reunir ciclistas e pebas de toda a região para unir esporte e generosidade. Participar ajuda a fazer a diferença na vida de quem precisa. Ou seja: dá pra sofrer com um pouco mais de orgulho.

Então, que fique registrado: no dia 30 de novembro, estarei em Assis. De capacete, coração na boca e, provavelmente no final, com as pernas ardendo. Talvez não ganhe (talvez?!?), talvez não brilhe, mas, com sorte, não passo mais vergonha do que já passei o ano inteiro. Ou, pelo menos, passo com mais estilo. Afinal, o que falta de treino, sobra de sarcasmo e teimosia. E fazer pose de vencedor para os fotógrafos oficiais do evento. No fundo, ser peba também é um esporte. E ainda ganhamos medalha no final.

Quem quiser participar desse evento solidário, ajudar ao próximo e acompanhar de perto mais essa tentativa de evitar um vexame anunciado do peba que vos escreve, basta acessar o link https://lets.events/e/4-pedal-solidario-forca-no-pedal-asss-sp/

Nos vemos nas trilhas por aí, ou no Pedal Solidário de Assis.

Renato Piovan

Peba assumido

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