Aquiles e a Tartaruga.

Por Ulisses Coelho

Esses dias têm muito se refletido sobre a questão da segurança. O genocídio, ocorrido na escola fluminense do bairro do Realengo, trouxe à tona a fragilidade e a vulnerabilidade das nossas instituições escolares. Mero reflexo, pra não dizer parte, da sociedade civil.

O que me faz lembrar o famoso paradoxo de Zenão, eternizado na corrida disputada entre Aquiles e uma tartaruga. O herói grego e a tartaruga decidem apostar uma corrida de 100m. Como Aquiles é 10 vezes mais rápido que a tartaruga, esta recebe a vantagem de começar a corrida 80m na frente da linha de largada.

No intervalo de tempo em que Aquiles percorre os 80m que o separam da Tartaruga, esta percorre 8m e continua na frente de Aquiles. No intervalo de tempo em que ele percorre mais 8m, a tartaruga já anda mais 0,8m… Dessa forma, não importa quanto tempo se passe, Aquiles nunca alcançará a Tartaruga.

A solução clássica para esse paradoxo envolve a utilização do conceito de limite e convergência de séries numéricas. O paradoxo surge ao supor intuitivamente que a soma de infinitos intervalos de tempo é infinita, de tal forma que seria necessário passar um tempo infinito para Aquiles alcançar a tartaruga. No entanto, os infinitos intervalos de tempo descritos no paradoxo formam uma progressão geométrica e sua soma converge para um valor finito, em que Aquiles encontra a tartaruga.

Trocando em miúdos. Já deixamos a violência sair com a mesma vantagem que a tartaruga teve para com Aquiles. Já passou da hora de colocar limites para o nosso comportamento e mentalidade dentro do que chamamos de violência.

Estabelecer um critério do que é tolerável para diferir do que não é. Não adianta colocar culpa nos fundamentalismos religiosos defendidos pelo sociopata; em suas frustrações juvenis e nas adversidades da vida, porque muitos passam por coisas piores das que ele enfrentou e nem por isso sai abrindo fogo contra todo mundo.

Perguntas elementares para se colocar limites no comportamento violento e evitar que mais fenômenos desgraçados como esse ninguém elabora! Por que a escola estava tão vulnerável à entrada de um estranho? Por que a escola não percebeu o comportamento distinto de seu ex-aluno, futuro agressor, enquanto era ainda um educando?

Enquanto isso no Castelo de Grayskull… Procura-se um limite!

Ulisses Coelho

http://filosofossuicidas.blogspot.com/

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