No Brasil, há algumas décadas, tem-se falado sobre o direito da população à cidade — um tema que ganhou força especialmente com a promulgação do Estatuto da Cidade (Lei nº 10.257/2001). Esse conceito, no entanto, tem raízes anteriores: foi formulado nos anos 1960 pelo filósofo e sociólogo francês Henri Lefebvre, que defendia a cidade como um espaço de convivência, interação social e trocas socioculturais, onde a dignidade humana de cada indivíduo fosse respeitada.

Neste ano em que Assis completa 120 anos, esse debate se torna ainda mais necessário. Com mais de 100 mil habitantes, nossa cidade carrega consigo potencialidades notáveis e também desafios significativos. É fundamental observar com sensibilidade e responsabilidade as diferentes realidades sociais, econômicas e culturais que compõem o mosaico urbano de Assis.

Afinal, a “cidade fraternal” tem realmente acolhido a todos? Todos os cidadãos têm acesso digno aos serviços públicos e privados? Os direitos humanos são respeitados no cotidiano? Há espaço para as diferentes expressões culturais e religiosas que compõem a diversidade da nossa população?

Essas questões precisam estar no centro das decisões do poder público e também nas rodas de discussão da sociedade civil. Não se trata apenas de planejar o espaço urbano, mas de garantir que Assis seja uma cidade para todos — do empresário à pessoa em situação de rua, com equidade, dignidade e respeito.

Celebrar os 120 anos de Assis é também renovar o compromisso com um projeto de cidade que una desenvolvimento com justiça social, crescimento com inclusão e modernidade com fraternidade.

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