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A "menina dos olhos" da China - a soja brasileira e suas perspectivas no cenário pós-pandemia.

Divulgação

  • 17/02/23
  • 08:00
  • Atualizado há 15 semanas

Foram-nos indagadas as seguintes questões: Com a retomada do mercado chinês, as exportações já teriam sentido um aumento considerável em montante comercializado, uma vez que o país asiático responde por 33% do mercado do agronegócio brasileiro? O que poderia ser feito para potencializar o mercado do agro brasileiro com a China? E quais as expectativas do mercado brasileiro com a China no que concerne as exportações de 2023?

Pois bem: É inegável que os chineses são os principais parceiros comerciais do Brasil, tendo importado do país tupiniquim entre os meses de janeiro e novembro de 2022 cerca de US$ 83,4 bilhões em commodities, segundo a fonte (Comexstat). O principal produto enviado para a China foi a soja, com US$ 45,4 bilhões exportados para terras chinesas. Da mesma fonte, em 2022 a China se manteve como principal país de destino do agro brasileiro, somando US$ 41,29 bilhões. A participação do país, contudo, registrou queda de 37,4% para 33,8%, apesar do aumento nas vendas de 18,2%. A soja em grãos representou 67,6% das vendas ao mercado chinês (US$ 27,92 bilhões)1.

1 Em seguida destacou-se a carne bovina in natura (US$ 6,17 bilhões, ou 14,9% do total), celulose (US$ 2,34 bilhões, ou 5,7% do total) e o açúcar de cana em bruto (US$ 1,16 bilhão, ou 2,8% do total).

Muito além das discussões sobre os standards mínimos, ou seja, os padrões requeridos pela China na OMC para a soja nacional, ainda em discussão, o cenário é positivo, mas com cautelas para este início de ano, principalmente para a exportações brasileiras.

Alguns fatores devem ser levados em conta: o primeiro deles é que a política de Covid zero, adotada pelo governo chinês no combate à pandemia, interferiu diretamente no mercado mundial de commodities, alterando os preços das matérias e gerando instabilidade nos mercados globais.

Como resultado da "Covid Zero", e por conta da desaceleração da economia global, para 2023, o Banco Central Mundial prevê que os preços médios das commodities agrícolas caiam 4,5%, de acordo com o relatório "Commodity Markets Outlook", indicando que os preços de commodities agrícolas terminarão o presente ano aos 117,7 pontos.

Segundo fator é que com o conflito da Ucrânia elevou-se a cotação da soja em 2022, mas uma oferta mais elevada do produto no segundo semestre daquele ano, por causa de uma boa safra nos EUA, derrubou a cotação. Entretanto, há uma previsão que o Brasil produza uma super safra de soja em 2023, acima de 150 milhões de toneladas, (Fonte BTGPactual).

No entanto, entre o dilema do "copo meio cheio ou meio vazio", ficamos com o "copo meio cheio" que reforça o otimismo com as devidas cautelas dos exportadores brasileiros no tocante a retomada do crescimento econômico da China e ao próprio governo chinês2, mesmo com a previsão de um "primeiro trimestre de crescimento relativamente baixo para este país", (fonte BTG-Pactual).

2 No início de janeiro de 2023 a Organização Mundial da Saúde - OMS advertiu para os casos de subnotificação nos relatórios oficiais do governo chinês.

Endossando o otimismo do setor, a exportação de soja do Brasil deve crescer, no mínimo, oito vezes em fevereiro deste ano de 2023 na comparação com os embarques fracos registrados em janeiro, em meio a uma safra recorde e após atrasos iniciais na colheita, de acordo com dados da Associação Nacional dos Exportadores de Cereais (Anec3).

3 A Anec informou que na semana de 29 de janeiro a 4 de fevereiro o Brasil embarcou 758,5 mil toneladas de soja, volume que deve aumentar para 2,12 milhões de toneladas na semana de 5 a 11 de fevereiro. Os dados indicam que os embarques teriam de ser acelerados para que o recorde para fevereiro seja batido. Em janeiro, o Brasil embarcou apenas 944,38 mil toneladas, ficando 1,33 milhão de toneladas abaixo do mesmo período de 2022. Com exceção do primeiro mês de 2021 (53,6 mil toneladas), janeiro de 2023 marcou o pior volume para a exportação de soja no período desde 2016 (441,6 mil toneladas), o que deverá atrasar as chegadas da nova safra do Brasil a destinos como a China.

A oportunidade para o Brasil no que se refere especialmente à soja é excelente, segundo a Agrinvest Commodities, porém existe um desafio: "o atraso na colheita". Segundo eles:

"Para fevereiro, do total que estimamos aqui de 6,5 milhões de toneladas, praticamente 80% disso era Brasil - pensando não em recebimento, mas em embarque - porém, o embarque em fevereiro no Brasil será pequeno. O lineup já está em 6 milhões, só que a área colhida é menos de 5% - que dá uns 8 milhões de toneladas - e desse total uma parte vai para a exportação. Então, só vai começar a engrenar a partir de março, e o chinês vai ter que 'se virar' em algum momento entre março e abril, porque vai receber menos soja. Por isso há alguns negócios com soja americana", (Fonte Agrinvest Commodities).

E quais as estimativas para a safra de soja 2022/23?

A Associação Nacional dos Exportadores de Cereais (Anec) apresentou estimativa que aponta que Brasil exportou 1,222 milhão de toneladas de soja em janeiro, número que indica redução em relação à previsão de 1,356 milhão da semana anterior.

A entidade também fez um ajuste para baixo em sua projeção para os embarques de farelo de soja, que devem alcançar 1,437 milhão de toneladas no mês, ante 1,521 milhão estimados há uma semana. Já a consultoria StoneX apontou, em levantamento, que a safra de soja do Brasil em 2022/23 deverá alcançar 154,2 milhões de toneladas, número maior que os 153,79 milhões de toneladas estimados anteriormente.

Esperamos que com o fim do período de severas medidas de restrição ao Covid-19 na China, este fato, represente uma grande oportunidade para diversos países que se destacam na agricultura. No caso do Brasil, as principais oportunidades dizem respeito à produção de soja, afinal, a China tem grande demanda por essa cultura e como dito anteriormente, ela é uma grande parceira comercial do Brasil.

Dessa forma, os produtores terão uma grande oportunidade ao longo desse ano, ainda que venha acompanhada de um desafio por conta do atraso na colheita.

Nesse momento, é fundamental aproveitar a oportunidade, mas compreender que o ritmo de negociações existente no período anterior à pandemia não será recuperado de imediato. Ainda assim, a notícia é salutar e otimista para os produtores brasileiros que enfrentaram tantas dificuldades revezes nos últimos anos. Oxalá, nos ajude. São as nossas considerações. Estamos acompanhando as atualizações sobre o tema e à disposição para solucionar quaisquer dúvidas que você tenha a respeito dessa consulta.

Charlene de Ávila. Advogada. Mestre em Direito. Consultora Jurídica em propriedade intelectual na agricultura de Neri Perin Advogados Associados - Brasília-DF.

Neri Perin. Advogado Agrarista especialista em Direito Tributário e em Direito Processual Civil pela UFP. Diretor Administrativo da Neri Perin Advogados Associados - Brasília- DF.

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