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Por que o agro tem tanto impacto na saúde do meio ambiente?

Elisa Barbosa

  • 16/08/23
  • 21:00
  • Atualizado há 44 semanas

Há, aproximadamente, 9 mil anos atrás, iniciou-se a grande expansão da agricultura. O homem, que, predominantemente, vivia como nômade e da caça, agora passa a se estabelecer em determinadas áreas e a plantar, o que se consolida há 5 mil anos atrás, com o a queima de grandes áreas para produção agrícola e o início de maiores emissões de CO2.

É comum acreditarmos que foi a Revolução Industrial (1850) que trouxe as grandes emissões de gases poluentes. No entanto, nessa época, somaram-se ambas as emissões da indústria e da agricultura, o que culminou em uma intensificação que ainda não tinha sido vista.

Em meados do século XX, com a Grande Aceleração - período cujo elemento central aponta para a grande aceleração econômica, industrial e de processos produtivos - evidenciam-se, então, as mudanças no meio-ambiente. A população crescente vem exigindo mais produção e, consequentemente, mais consumo. O fator de maior impacto no meio ambiente é, sem sombra de dúvidas, o consumo. É a partir dele que se movem as cadeias produtivas e, a partir de então, os impactos acontecem, tendo em vista o conflito entre o sistema produtivo e a biosfera. Quanto maior a população, maior o consumo agropecuário.

Hoje, o agro é o segundo setor responsável pela maior emissão de gás carbônico e outros gases de efeito estufa (GEE) no Brasil (25% de todas as emissões). Cabe ressaltar que o primeiro segmento mais poluente é o de mudanças no uso do solo e desflorestamento (50% de todas as emissões) - que, em muitos casos, estão ligados ao desmatamento para a criação de gado e plantio de lavouras, ou seja, diretamente conectados ao agronegócio.

É possível, no entanto, dar continuidade ao setor, que é tão importante economicamente para o Brasil, reduzindo os impactos ambientais. Saídas como agricultura sustentável, nature based solutions (ou soluções baseadas na natureza), bem como crédito de carbono, bioenergia, dentre outros, poderiam diminuir em até 1,83 bilhão de toneladas as emissões de CO2 entre 2023 e 2030, segundo dados do relatório "Semeando o Futuro: O Agronegócio como Pilar da Transição Climática no Brasil", da consultoria BCG.

De acordo com Arthur Ramos, diretor executivo e sócio do BCG, seriam necessários investimentos de US$ 120 bilhões, e boa parte seria bancada pelo setor financeiro. Segundo ele, parte vem do capital dos próprios produtores e outra parte vem dos bancos, que estão assumindo compromissos para redução das emissões de gases de efeito estufa em suas carteiras de crédito.

O governo brasileiro oferece programas que possuem condicionantes ligadas a questões de sustentabilidade para dar acesso ao crédito, como o Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf) e o Programa Nacional de Apoio às Microempresas e Empresas de Pequeno Porte (Pronamp), que são mais direcionados aos pequenos agricultores. Os médios e grandes dependem mais do mercado de capitais e dos bancos para financiamento, e estes já têm iniciado os trabalhos direcionados ao ESG e ao cumprimento dos ODSs da ONU.

Elisa C. G. Barbosa - OAB/SP 365.622

Me. em Educação pela UNESP/FCLAr/ Especialista em Educação em Direitos Humanos pela UFABC

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