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Importância da vacinação contra as meningites

Assessoria Comunicação

  • 26/04/23
  • 13:00
  • Atualizado há 60 semanas

São diversos os agentes que causam meningites. A começar pelos vírus, cuja grande maioria provoca meningite considerada "benigna", pois geralmente não determinam complicações maiores ou deixam sequelas. No quadro agudo há febre, cefaleia e vômitos, sintomas mais frequentes, que incomodam e podem levar à desidratação e ocasionar internação.

Mas, segundo o infectologista pediátrico Marcelo Otsuka, vice-presidente do Departamento de Infectologia da Sociedade de Pediatria de São Paulo, na nossa realidade, a maior preocupação, sem dúvida, são as clássicas meningites bacterianas. "As vacinas para esses agentes diminuíram bastante os quadros, felizmente, mas quando a doença ocorre, leva a quadros gravíssimos, determinando não só morte em até 30% das crianças, como diversas sequelas, que vão de déficits auditivos a crises convulsivas, sequelas motoras e neurológicas e lesões de órgãos importantes, como rins e fígado", alerta o médico.

Um grupo que parece não ser muito comentado, de acordo com o especialista, é o dos adolescentes e adultos jovens, que, apesar de serem menos acometidos e terem menor gravidade, podem desenvolver todas essas sequelas e apresentam óbito entre 20% e 30% dos casos, um dado alarmante. Ele informa que todos os estudos demonstram que os adolescentes e adultos jovens têm um papel fundamental no ciclo das meningites bacterianas. "Principalmente dos meningococos, eles são os principais reservatórios, isto é, a bactéria coloniza suas nasofaringes, de onde existe a transmissão para todos os outros grupos. A implantação da vacinação no adolescente como estratégia de controle da disseminação das meningites demonstrou bons resultados na redução da doença meningocócica nos demais grupos etários", afirma Otsuka.

A vacinação contra algumas bactérias, como o Streptococcus pneumoniae (pneumococo), o Haemophilus influenzae b e o meningococo C nas crianças, que faz parte do Programa Nacional de Imunizações (PNI), reduziu drasticamente as meningites por esses agentes. "Mas ainda há necessidade de intensificar a vacinação do adolescente, hoje com baixíssimas taxas de cobertura", lamenta o pediatra, esclarecendo que, atualmente, faz parte do calendário vacinal do adolescente (pelo PNI, pela SBP e SBIm) a administração da vacina meningocócica ACWY, tanto pelo SUS como em clínicas privadas. "A vacinação contra as meningites deve começar nas crianças pequenas e o mais brevemente possível, por serem o grupo com maior taxa de infecção e alta morbimortalidade. Entretanto, jamais devemos negligenciar a vacinação do adolescente, o que, infelizmente, tem ocorrido nos tempos atuais", conclui Otsuka.

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