O Conselho Tutelar de Assis concluiu o fechamento das estatísticas de atendimento do órgão referente ao ano de 2018. No total, foram 520 visitas, além de 870 atendimentos, sendo 243 casos novos e 627 casos já acompanhados pelo Conselho Tutelar.

Segundo o presidente do Conselho Tutelar de Assis, Sérgio Domingos Vieira, algo importante que deve ser destacado nestas estatísticas é a existência de territórios críticos na cidade que merecem uma atenção especial do Poder Público.

“O primeiro deles compreende o Complexo Prudenciana e os problemas naquela região da cidade se acentuaram principalmente com a incorporação de dois novos bairros populosos como o Parque Colinas e o Residencial Santa Clara, além do Pacaembu. Outro território crítico do município é o Jardim Eldorado onde aparecem várias ocorrências. Também as regiões da Vila Progresso e Jardim Alvorada são territórios críticos em função das várias ocorrências que ali são registradas”, afirma.

De acordo com as estatísticas, as principais ocorrências verificadas estão ligadas principalmente à questão escolar, como evasão em escolas estaduais e do município, além de frequência irregular nas escolas municipais e estaduais.

A falta de vagas em creches e escolas municipais também é preocupante, sendo que a questão da negligência familiar é outro aspecto que chama a atenção.

“Também é preocupante o crescimento de jovens com as drogas, número este que vem aumentando consideravelmente no município. Porém, outro item que vem trazendo preocupação é o número de jovens envolvidos com o alcoolismo. É importante ressaltar que as regiões da Vila Ribeiro, Vila Prudenciana, Jardim Eldorado e Vila Nova Florínea, assim como Parque Universitário, Assis III, Vila Progresso e Jardim Eldorado, e agora de forma acentuada, o Parque Colinas e o Residencial Santa Clara, são aquelas conhecidas no município pelo alto índice de violência e tráfico de drogas e mesmo estando localizados em bairros periféricos possuem determinados recursos da rede de atendimento à criança e o adolescente, embora não contemple a totalidade da população infanto-juvenil”, ressalta Sérgio.

Na experiência dos conselheiros, a vulnerabilidade é fruto de um conjunto de condições desfavoráveis, tais como baixa renda, pouca escolaridade, desemprego e condições habitacionais precárias, e aumenta em virtude da deterioração dos vínculos familiares e comunitários, o que contribui para que essas sejam as áreas com maior registro de violações.

Os conselheiros tutelares esperam dos agentes dos poderes públicos que os números revelados por esta estatística possam ser de interesse das pessoas que cuidam do Estado que nem sempre, historicamente, não estiveram vinculadas a observações e registros numéricos.

“Os agentes públicos devem entendem que o desenvolvimento e a organização das cidades passaram a exigir que se pense o que fazer por antecipação o que não se conhece com exatidão”, frisa.

Finalizando, os conselheiros tutelares pensam que a estatística pode ser entendida como um meio, composto por saberes e por procedimentos técnicos específicos que é utilizada por governos das diferentes esferas públicas, para situar comunidades com altos índices de evasão escolar, por exemplo, como sendo de risco social. Analisar como se conduz a conduta desse conjunto de pessoas para sair da condição de evasão escolar é tomar a prática da gestão de risco como forma de garantir que necessita de saber estatístico para tomar decisões.

“Tais dados especificados através de números e bairros onde ocorrem é uma contribuição valiosa que o Conselho Tutelar oferece para que o poder público possa tomar as medidas necessárias para minimizar tais ocorrências ou mesmo extingui-las. Caso não haja uma atuação forte do poder público nesse sentido, todos os esforços realizados pelo Conselho Tutelar e órgãos que atuam com as crianças e adolescentes no município são infrutíferos”, finaliza.

Conselho Tutelar de Assis fecha estatísticas de atendimentos em 2018

Sergio Vieira, Presidente do Conselho Tutelar de Assis

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