A infância é um período essencial na formação da identidade e das relações sociais de um indivíduo. É nesse estágio que meninos começam a entender o que é amor, respeito e dignidade, mas também medo e desigualdade. Para construir um futuro mais justo e menos machista, é fundamental que a educação emocional comece dentro de casa, conforme destaca o artigo “Meninos que expressam suas emoções crescem menos propensos a ferir”, publicado no Portal Raízes por Cid Vieira, psicólogo especialista em parentalidade positiva.

O bom exemplo faz toda a diferença durante a infância.<div class=
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O bom exemplo faz toda a diferença durante a infância.
Foto: Ana Carolina Cavalcante/ Bernardo/ Imagem Cedida

Influências na infância masculina

Segundo a Teoria do Apego de John Bowlby, apresentada no artigo, os primeiros vínculos estabelecidos na infância moldam a forma como os meninos se relacionam com o mundo. Aqueles que crescem em ambientes carinhosos e acolhedores aprendem a considerar o outro com respeito. Em contrapartida, meninos que vivenciam rigidez e autoritarismo podem entender que a submissão é a única forma de interagir, levando à reprodução desses comportamentos.

Ainda segundo o texto, a neurociência afetiva, abordada nos estudos de Daniel Siegel, reforça essa ideia ao afirmar que o cérebro da criança é moldado pelas experiências emocionais que vivem. Cada demonstração de empatia ajuda a criar circuitos que favorecem a cooperação e a autorregulação. Assim, educar meninos a ouvir, cuidar e se responsabilizar é essencial para construir as bases de uma sociedade mais colaborativa.

O ambiente em que os meninos crescem, deve ser carinhoso e acolhedor. Foto: Ana Carolina Cavalcante
O ambiente em que os meninos crescem, deve ser carinhoso e acolhedor.
Foto: Ana Carolina Cavalcante

Expressando emoções sem tabus

Segundo a publicação, é importante que os homens do futuro aprendam a expressar suas emoções sem medo de serem ridicularizados. O texto apresenta Donald Winnicott, renomado pediatra e psicanalista, que enfatiza que, um ambiente com boas influências é necessário para o desenvolvimento emocional saudável. Quando um menino se sente seguro para chorar, pedir ajuda ou errar, ele começa a confiar em si mesmo e no mundo. Essa liberdade pode libertá-lo da armadura do machismo, que ainda hoje tenta sufocar a sensibilidade masculina.

No artigo de Cid Vieira, a psicanalista Elisana Santos destaca que a ideia de que meninos “não são naturalmente cuidadosos” reforça estereótipos prejudiciais. Educar meninos emocionalmente é essencial para que se tornem homens que exercem poder com responsabilidade, não sobre os outros. Para Santos, a equidade de gênero não depende apenas do empoderamento das meninas, mas também da libertação dos meninos da rigidez emocional e da vergonha de expressar ternura.

Pequenos cuidados no cotidiano fazem a diferença. Foto: Arquivo Pessoal/ Imagem Cedida
Pequenos cuidados no cotidiano fazem a diferença.
Foto: Arquivo Pessoal/ Imagem Cedida

A Importância do exemplo

De acordo com o colunista do Portal Raizes, Cid Viera, pequenas ações no cotidiano fazem a diferença. Um pai que pede desculpas, um menino que vê seu pai lavar a louça sem chamar isso de “ajuda”, são exemplos que ensinam que cuidar e compartilhar são atos de responsabilidade, não de dominação. Educar meninos para não reproduzirem o machismo é um ato de coragem e amor. Isso demonstra que força e sensibilidade são complementares e não opostas.

Segundo ele, se queremos um futuro mais justo, precisamos cuidar dos meninos de hoje. Homens que aprenderem a sentir e expressar suas emoções estarão menos propensos a ver o poder como sinônimo de dominação, contribuindo para um mundo mais humano e empático.

E com essa abordagem, é possível esperar que as futuras gerações de homens sejam mais empáticos, respeitosos e emocionalmente saudáveis.

Referências:

  • Vieira, C. (2026). Meninos que expressam suas emoções crescem menos propensos a ferir. Portal Raízes.
  • Bowlby, J. (1969). Attachment and Loss: Volume I. Attachment.
  • Siegel, D. J. (2012). The Developing Mind: How Relationships and the Brain Interact to Shape Who We Are.
  • Winnicott, D. W. (1965). The Maturational Processes and the Facilitating Environment.

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