A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) dos Combustíveis da Câmara Municipal de Assis ouviu, na manhã do dia 2 de junho, o motorista da Secretaria Municipal da Saúde, Hamilton Marcelo, que trouxe informações consideradas relevantes para as investigações sobre possíveis irregularidades no abastecimento de veículos da frota municipal.

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Servidor da Prefeitura há mais de 35 anos e motorista da Saúde desde o início da carreira, Hamilton foi questionado sobre um abastecimento registrado em setembro de 2025 utilizando sua matrícula e senha pessoal. O caso chamou a atenção dos vereadores porque, segundo documentos analisados pela CPI, a operação ocorreu durante um período em que o servidor estava afastado por licença médica.

Durante o depoimento, Hamilton afirmou que estava internado no dia em que o abastecimento foi registrado. “Justo dia 9 eu estava internado, estava fazendo a cirurgia”, declarou o motorista, ao apresentar documentos que, segundo ele, comprovam o afastamento por motivos de saúde.

Questionado sobre como sua matrícula e senha poderiam ter sido utilizadas durante o período em que estava afastado, Hamilton disse não saber quem realizou a operação, mas relatou problemas frequentes com o sistema de abastecimento utilizado pela Prefeitura.

Segundo ele, era comum ocorrerem bloqueios nos cartões de abastecimento, exigindo posteriormente procedimentos de regularização para liberar os pagamentos pendentes aos postos de combustíveis.

Um dos pontos que mais chamou a atenção dos membros da CPI foi a afirmação de que Leonardo Gonçalves Gabrigna, servidor investigado pela comissão e irmão do secretário municipal de Planejamento, Obras e Serviços, Leandro Gabrigna, tinha acesso às senhas dos motoristas da Secretaria da Saúde.

De acordo com Hamilton, as senhas não eram escolhidas pelos próprios servidores quando o sistema foi implantado. “Antigamente veio o cartão, veio a senha para a gente, não era a gente que escolhia a senha”, afirmou.

Ao ser questionado pelos vereadores sobre quem tinha acesso a essas informações, respondeu que Leonardo era responsável pela entrega das senhas e, por isso, tinha conhecimento dos códigos utilizados pelos motoristas. “O Leonardo sabia a senha de todo mundo. Todos os motoristas”, declarou.

O motorista também relatou que, em situações de bloqueio dos cartões, Leonardo participava dos procedimentos para regularização dos abastecimentos pendentes.

Segundo Hamilton, quando os cartões apresentavam problemas e abastecimentos ficavam acumulados, os motoristas assinavam os comprovantes e posteriormente os acertos eram realizados junto aos postos. “Teve vezes que sim”, respondeu ao ser questionado se Leonardo era quem fazia esse trabalho.

Durante a oitiva, Hamilton afirmou ainda que sempre exerceu a função de motorista e nunca ocupou cargo de chefia dentro da Secretaria Municipal da Saúde.

A CPI dos Combustíveis investiga possíveis irregularidades administrativas e financeiras relacionadas ao abastecimento da frota municipal, controle de combustíveis e procedimentos internos adotados em diferentes secretarias da Prefeitura de Assis. Os depoimentos colhidos serão analisados em conjunto com documentos, relatórios de abastecimento e demais provas reunidas pela comissão.

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