José Fernandes, ex-prefeito de Assis-SP, filia-se ao PSD com o objetivo de disputar uma vaga na Câmara Federal em 2026. Sua trajetória política e a ausência de representantes locais no Congresso reabre o debate sobre a importância de uma candidatura regional no Vale do Paranapanema.
JOSÉ FERNANDES NO CENÁRIO POLÍTICO
As eleições de 2026 movimentam as forças políticas de todo o país. Na capital São Paulo, José Fernandes, anunciou sua filiação ao PSD (Partido Social Democrático) liderado por Gilberto Kassab. Durante sua vida pública, Fernandes exerceu o cargo de vereador por três vezes consecutivas e foi prefeito por dois mandatos seguidos no Município de Assis.

As duas gestões no Executivo são marcadas pelo equilíbrio de investimentos em infraestrutura, programas sociais, educação, saúde e agricultura. Sua trajetória no legislativo e executivo assisense, o consolidou como liderança político regional e o fez surgir como um nome com potencial para a disputa do cargo de deputado federal.
A FORÇA DE ASSIS E A AUSÊNCIA DE REPRESENTATIVIDADE
Segunda cidade mais populosa do vale do paranapanema e com orçamento de aproximadamente 650 milhões de reais, Assis é circundada por outros quatorze municípios, que, somados, reúnem cerca de 260 mil habitantes. Um enorme potencial político que não é exercido por nomes locais.
A região não possui um representante local como deputado. As verbas destinadas via emendas parlamentares a esses Municípios são oriundas de deputados de outras áreas do estado.
Sem representantes diretos, os prefeitos recorrem a correligionários distantes para angariar recursos e investirem em suas cidades. Surge assim uma dívida de aliança. Após auxiliar o gestor municipal com verbas, nem sempre suficientes, espera-se algo em contrapartida. Na prática, o pedido de voto.
Por conta dessa lógica, a região assisense vive este ciclo vicioso e há tempos não elege um representante. É comum nas eleições federais prefeitos pedir votos a candidatos forasteiros.
No jargão da política costuma-se dizer que “o frio é grande e o cobertor é curto”, isto é, falta dinheiro para as demandas municipais. Dinheiro este que existe, mas sem um parlamentar da casa, dificilmente quantias expressivas são destinadas.
O QUE ESTÁ EM JOGO: 37 MILHÕES POR DEPUTADO
Atualmente cada deputado federal tem o direito a indicar cerca de 37 milhões de reais em emendas ao orçamento federal. Esses recursos são de execução obrigatória, o que significa que o governo é legalmente obrigado a liberá-los. A legislação determina que pelo menos 50% desse valor seja investido na área da saúde.
A verba em grande quantidade existe e está disponível. Portanto, é essencial que a região tenha um representante que possa destinar maiores valores aos municípios para fomentar o desenvolvimento econômico, e deixem de depender das chamadas migalhas que atendem a problemas pontuais e não promovem uma grande transformação econômico-social, muitas vezes garante apenas a popularidade para a reeleição de mandatário e de vereadores.
PSD EM EXPANSÃO E O NOVO AMBIENTE POLÍTICO
A migração de José Fernandes ao PSD está inserida no contexto de fortalecimento do partido. Em São Paulo, a sigla registrou um crescimento expressivo nas eleições de 2024, triplicando o número de prefeituras sob seu comando. O partido também integra as estruturas dos governos estadual e federal, o que amplia sua influência política em diferentes setores. Na região de Assis, são 8 as prefeituras comandadas pelo PSD.

Com essa expressão, o partido se estabelece como um importante aliado para a governabilidade do poder executivo, adotando uma postura de diálogo com diferentes correntes ideológicas e contribuindo para o fortalecimento do regime democrático.
Essa flexibilidade e capacidade de articulação refletem a própria trajetória política de José Fernandes, que, em sua possível campanha, pode defender um projeto de integração regional voltado às potencialidades e necessidades regionais em diálogos próximos aos prefeitos e vereadores.
UM PROJETO DE INTEGRAÇÃO REGIONAL OU MAIS DA MESMA DEPENDÊNCIA?
Outros nomes de Assis e região devem surgir nestes momentos de articulações e alianças como potenciais candidatos ao Congresso Nacional. Acreditar que haverá união em torno de um único candidato é utopia. Existem grupos com interesses divergentes e vaidades pessoais que influenciam as escolhas. Além, é claro, de alguns oportunistas e aventureiros que buscam uma satisfação pessoal em ver seu nome anunciado como candidato e não possuem compromisso político algum.
Apesar da conjuntura, é necessário formar maioria, José Fernandes deu um importante passo nesse sentido ao migrar para o robusto PSD.
Entretanto, independente do nome a apoiar, é necessário que as lideranças políticas escolham se irão continuar comprometidas com os forasteiros, submissos e justificando a falta de dinheiro como a causa de maiores investimentos, ou se irão optar por fortalecer, ainda que inicialmente com o apoio de parte das cidades, uma candidatura regional que represente de forma mais direta e eficaz os interesses locais e destine valores significativos.
As eleições gerais, que estão previstas para o segundo semestre de 2026, definirão os ocupantes dos cargos de presidente, governadores, senadores, deputados federais e estaduais










