Um grupo de mais de 30 pessoas de Assis, Cândido Mota e outras cidades, como Presidente Prudente, denunciaram à reportagem do Portal AssisCity um suposto golpe aplicado por uma agência de viagens localizada em Cândido Mota. Segundo os relatos, a empresa Suetur Turismo vendeu pacotes turísticos, mas não cumpriu com as viagens contratadas. O caso já resultou em boletins de ocorrência e pode levar a desdobramentos judiciais.

Agência de viagens de Cândido Mota é alvo de denúncias por não realizar excursões pagas - FOTO: Enviada ao Portal AssisCity - Enviada ao Portal AssisCity

De acordo com os denunciantes, os problemas começaram a ser percebidos no início de 2025, quando diversos clientes pagaram integralmente pelos pacotes, mas tiveram suas viagens canceladas poucos dias antes do embarque, sem a devolução imediata dos valores. Em áudios trocados entre consumidores e a proprietária da empresa, Silvana Donisete da Silva Fernandes, a responsável admite a mudança de datas e dificuldades na organização dos grupos, justificando que algumas excursões não puderam ser fechadas porque parte dos clientes não efetuou o pagamento dentro do prazo. Ainda assim, ela afirma que tentou realocar os passageiros em novas datas.

Uma das vítimas, Viviane Mascareli, relatou à nossa reportagem que programou suas férias com meses de antecedência e só foi informada da alteração da data da viagem poucos dias antes da partida. “Agora eu perco tudo. Paguei seis meses antes e, de repente, dois dias antes da viagem, ela cancela. Meu marido já tirou férias, e agora não podemos viajar. Nossa viagem para Cabo Frio (RJ) estava marcada para janeiro de 2025, e até agora, em 19 de março, não recebemos o reembolso”, disse a cliente lesada.

A situação levou diversas vítimas a registrar boletins de ocorrência. Em um dos documentos, um consumidor narra que viu um anúncio da empresa no Facebook e fez um pagamento via PIX no valor de R$ 3.500 para garantir sua viagem. Posteriormente, descobriu que outras pessoas também haviam sido prejudicadas. O caso foi registrado como estelionato na Polícia Civil, na Delegacia de Cândido Mota.

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[h4]Venda de pacotes continuou até esta semana[/h4]

Mesmo após diversas denúncias e registros de boletins de ocorrência, Silvana continuava vendendo pacotes de viagem até a última segunda-feira, 17 de março. Segundo os consumidores ouvidos pela reportagem, após a denúncia feita à diversos veículos de comunicação, a empresária teria sido orientada a retirar todas as publicações das redes sociais e as páginas “Suetur Turismo” e “Silvana Viagens” foram excluídas.

No entanto, clientes ainda encontram postagens em grupos do Facebook promovendo pacotes da empresa. Além disso, o número de vítimas segue crescendo. De acordo com informações do grupo de WhatsApp formado por prejudicados, já foram registrados mais de 30 boletins de ocorrência em cidades como Quatá, Paraguaçu Paulista, Presidente Prudente, Assis e Cândido Mota. Segundo relatos, o total de consumidores lesados pode ultrapassar 70 pessoas.

Ao grupo, o advogado da empresária teria informado que Silvana está vendendo um imóvel para tentar ressarcir os clientes. No entanto, os denunciantes temem que a devolução dos valores não aconteça para todos os lesados.

Consumidores lesados se reuniram nesta quarta-feira, dia 17, na Delegacia de Cândido Mota | Advogado da empresa também esteve presente - FOTO: Enviada ao Portal AssisCity - Enviada ao Portal AssisCity

[h4]Defesa da empresa[/h4]

A proprietária da agência, Silvana Fernandes, nega que tenha cometido qualquer crime. Em nota enviada ao Portal AssisCity, o advogado da empresa, Sérgio Augusto Alves de Assis, alega que se trata de um “desacordo comercial”, e não de estelionato.

“A empresa possui endereço fixo e opera há mais de 10 anos, cumprindo todos os contratos firmados. Algumas pessoas que hoje se dizem vítimas já adquiriram viagens anteriores da agência e usufruíram normalmente dos pacotes”, diz a nota .

O advogado argumenta que não houve “dolo” por parte da proprietária, elemento necessário para a caracterização do crime de estelionato. Segundo ele, as dificuldades enfrentadas pela empresa foram ocasionadas por problemas operacionais e de organização, mas a intenção nunca foi fraudar os consumidores.

Ainda na nota, a defesa afirma que alguns clientes já foram reembolsados e que a empresária está tomando medidas para devolver os valores aos demais consumidores lesados o mais rapidamente possível.

Enquanto isso, os denunciantes continuam aguardando o reembolso e alertam que outras pessoas podem ter sido afetadas. O caso segue em investigação.

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