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Os trilhos do progresso (Parte 1)

Série dos 118 anos de Assis

Fernando Nascimento

  • 25/03/23
  • 11:00
  • Atualizado há 48 semanas

21/118

Conforme prometido, no capítulo de hoje, da série Assis 118 anos, nossa história de amor significará desenvolvimento, pois falaremos da ferrovia em nossa região. Aliás, nos dois próximos capítulos. Os acontecimentos que relataremos, merecem um texto maior. Pedimos desculpas pelo título… ainda que soe um tanto piegas, é exatamente isso que a ferrovia representou: uma verdadeira revolução.

AssisCity - Os trilhos do progresso (Parte 1)
Os trilhos do progresso (Parte 1)

Nossa pequena (e resumida) aula de história remonta ao século XIX. Os trens significavam a maior invenção do século, que revolucionou a forma como era feito o transporte, tanto de pessoas, quanto de cargas, aliando velocidade e segurança.

Divulgação - Fotos de arquivo da Ferrovia em Assis
Fotos de arquivo da Ferrovia em Assis

O transporte da produção cafeeira, então a maior riqueza do estado, para o Porto de Santos, tornou necessária a construção de estradas de ferro. As riquezas geradas pela exportação do café, possibilitaram à Capital, São Paulo, tornar-se um grande centro industrial.

A primeira ferrovia do estado, São Paulo Railway, foi inaugurada em 1867, fazendo a ligação de Santos a Jundiaí. Os anos seguintes demonstraram a necessidade de expansão da ferrovia, não só para escoar a produção, mas para povoar o oeste do estado.

Foram construídas as seguintes ferrovias: Companhia Mogiana de Estradas de Ferro (inaugurada em 1875), Estrada de Ferro São Paulo e Minas (inaugurada em 1891), Estrada de Ferro Araraquara (inaugurada em 1897), e a que nos "interessa" mais, a Estrada de Ferro Sorocabana.

A EFS, inaugurada em 1875, ligava, inicialmente, a cidade de Sorocaba à capital paulista, onde foi construída, como marco zero da ferrovia, a Estação Júlio Prestes, uma das mais belas construções arquitetônicas do estado, ainda preservada nos dias de hoje.

Após a proclamação da República, o novo governo elaborou o Plano da Comissão de 1890, para integrar os transportes ferroviário e fluvial e facilitar a ligação de São Paulo com os estados do Paraná e Mato Grosso. Para a execução das obras, foi contratada uma empresa especializada em obras ferroviárias, que pertencia a José Giorgi, engenheiro italiano que veio para o Brasil com seus pais, em 1877.

Divulgação - Fotos de arquivo da Ferrovia em Assis
Fotos de arquivo da Ferrovia em Assis

São admiráveis a engenharia e os recursos empregados, na época, para as obras. Lembre-se que falamos do final do século XIX e início do século XX. Abrir a mata, nivelar o terreno, explodir e assentar pedras que seriam a base dos trilhos, fabricar dormentes e postes (com a própria madeira retirada da floresta), transportar e instalar trilhos, construir pontes (inicialmente de madeira, e depois de ferro, trazido dos Estados Unidos), estações e alojamentos para os trabalhadores, e muitas outras situações, demonstravam a modernidade das técnicas utilizadas.

A expansão iniciou-se de Botucatu, ramal anteriormente construído, até Avaré, entre 1890 e 1892. Em seguida foram construídos alguns outros ramais até que, em 1907, o derradeiro passo, levar a Sorocabana, de Cerqueira César até o Mato Grosso. A obra, seguiria o rumo da "Estrada Boiadeira" e foi executada em tempo recorde, com inúmeras obras fantásticas de engenharia pelo trajeto,além de edifícios, telégrafos e instalações hidráulicas.

Divulgação - Fotos de arquivo da Ferrovia em Assis
Fotos de arquivo da Ferrovia em Assis

Em 1º de maio de 1922, os 890 km da Estrada de Ferro Sorocabana foram oficialmente terminados, com a inauguração da estação de Porto Presidente Epitácio.

As viagens de trens eram verdadeiros eventos. Sinônimo de classe, modernidade e diversão. Durante mais de um século, a ferrovia foi parte integrante, e importante, da vida dos paulistas

Inúmeros povoados foram estabelecidos ao longo dos trilhos, e transformaram-se em cidades. Locais que não foram contemplados com a ferrovia, literalmente pararam no tempo. Outras cidades, já existentes, se desenvolveram exponencialmente com a chegada dos trilhos, inclusive Assis. Mas isso será assunto para o capítulo de amanhã.

Na década de 1970, o governo estadual resolveu unificar as cinco ferrovias do estado, criando a FEPASA - Ferrovia Paulista SA, já em busca de reverter o processo de precarização do sistema, devido à falta de manutenção e expansão das rodovias do estado, com a popularização dos automóveis.

Mesmo assim, viajar de trem continuava sendo uma alternativa mais barata, ou para pessoas que não se importassem tanto com o tempo de viagem (que era bem longo).

divulgação - Fotos de arquivo da Ferrovia em Assis
Fotos de arquivo da Ferrovia em Assis

Em 23 de dezembro de 1997 a FEPASA foi transferida para a União, como pagamento de dívidas do governo de São Paulo e do BANESPA. Posteriormente leiloada, em 1998, foi adquirida pelo consórcio Ferroban - Ferrovia Bandeirantes, depois incorporado pela ALL (América Latina Logística) e, em 2015, transferido para a Rumo Logística. Janeiro de 1999, segundo relatos, viu o último trem de passageiros passar pela linha. O ano de 2016, marcou o fim do tráfego ferroviário em nossa região.

Existem promessas políticas de reativação das ferrovias em nosso estado. De minha parte, gostaria demais que isso acontecesse, não só para reativar memórias (viajei bastante de trem à São Paulo, quando criança) mas, também, na esperança de que isto traga novamente desenvolvimento para cidades servidas. Os tempos são outros mas, um país de dimensões continentais, como o nosso, merece mais linhas ferroviárias ativas.

Você tem alguma história de amor com a ferrovia?

Não perca a segunda parte deste capítulo, amanhã…

Por Fernando de Freitas Nascimento, com informações do livro "José Giorgi, História e Memória",de Luiz Carlos de Barros e da Wikipedia - https://pt.wikipedia.org/wiki/Ferrovia_Paulista_S/A, consultado em 24/03/2023.

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