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Terceiro líder da FNL investigado por extorsão de fazendeiros no Pontal do Paranapanema é preso em Assis

Cláudio Ribeiro Passos, de 50 anos, foi encaminhado à Cadeia de Lutécia (SP). Defesa adiantou que pedirá à Justiça a liberdade provisória do suspeito.

G1

  • 09/03/23
  • 17:00
  • Atualizado há 67 semanas

A Polícia Militar prendeu na manhã desta quinta-feira (9) mais um líder da Frente Nacional de Luta Campo e Cidade (FNL) suspeito de extorquir dinheiro de donos de propriedades rurais na região do Pontal do Paranapanema.

Cláudio Ribeiro Passos, de 50 anos, foi preso em Assis (SP) e encaminhado à Cadeia de Lutécia (SP), cidades que ficam na região de Marília (SP). Ele estava foragido desde o desencadeamento de uma operação, iniciada na última sexta-feira (3), que investiga o suposto envolvimento de líderes do movimento social de trabalhadores rurais sem-terra na extorsão de pelo menos seis fazendeiros vítimas.

Outros dois líderes da FNL, José Rainha Júnior e Luciano de Lima, já haviam sido presos no sábado (4) sob a mesma suspeita. Durante audiência de custódia realizada no domingo (5), em Presidente Venceslau (SP), a Justiça manteve a prisão de ambos.

Nos três casos, a Polícia Civil deu cumprimento a prisões preventivas determinadas pela Justiça.

Divulgação - Cláudio Ribeiro Passos foi preso nesta quinta-feira (9) em Assis (SP) — Foto: Cedida
Cláudio Ribeiro Passos foi preso nesta quinta-feira (9) em Assis (SP) — Foto: Cedida

Eles são suspeitos de exigir dinheiro de donos de propriedades rurais por meio de um grupo que teria se associado entre 2021 e 2022, "com a finalidade de cometer crimes de associação criminosa e extorsão".

Ao g1, a defesa de Cláudio Ribeiro Passos, representada pelos advogados Raul Marcelo e Rodrigo Chizolini, informou que pedirá à Justiça a liberdade provisória do investigado.

"O processo penal está no início, ele provará a inocência ao longo da instrução criminal. Iremos pedir a liberdade provisória dele em audiência de custódia", disse Chizolini.

Ainda segundo a defesa, Passos "sempre esteve à disposição das investigações e seguirá colaborando com o Judiciário".

Os advogados concluíram que o requerimento será feito "para que ele possa responder ao processo em liberdade, posto que não há um único motivo significativo para a decretação da prisão preventiva".

A FNL classificou as prisões dos líderes sem-terra como "um claro ato de perseguição política". Além disso, o movimento social adiantou que manterá uma "grande campanha" em defesa dos líderes presos.

Relembre o caso

De acordo com as informações repassadas pela Polícia Civil ao g1, José Rainha Júnior foi detido em um lote onde reside, no Assentamento Che Guevara, em Mirante do Paranapanema (SP), enquanto a prisão de Luciano de Lima ocorreu na Rodovia José Corrêa de Araújo, na divisa entre os estados de São Paulo e do Paraná, entre os municípios de Sandovalina (SP) e Jardim Olinda (PR).

Já em outro inquérito policial foram realizadas na sexta-feira (3) buscas domiciliares que resultaram nas apreensões de dois fuzis de calibre 556, duas espingardas de calibre 12 e uma de calibre 357 que estavam em posse legalizada de um fazendeiro que é alvo de investigações sobre disparos contra sem-terra durante uma ocupação de propriedade rural no mês passado. De acordo com a Polícia Civil, as investigações continuam para identificar os atiradores.

"As prisões preventivas têm como objetivo a interrupção do ciclo delitivo e promoção de prevenção geral e paz no campo. É importante ressaltar que em nada se confundem com os atos decorrentes do Carnaval de 2023, quando um grupo invadiu nove propriedades rurais. As operações visam a apuração do ciclo de violência decorrentes de extorsões e dos disparos de arma de fogo, incluindo fuzil, o que colocou em risco número indeterminado de pessoas", informou a Polícia Civil em nota oficial na noite de sábado (4).

"José Rainha Júnior e Luciano de Lima, líderes da FNL, foram presos pela nossa Polícia Civil. Parabenizo os policiais envolvidos nessa missão, que contam também com o apoio da Polícia Militar para garantir a segurança em nosso Estado", postou em uma rede social o secretário da Segurança Pública do Estado de São Paulo, Guilherme Derrite.

No mês passado, a FNL havia dado início a uma série de ocupações de fazendas na região de Presidente Prudente (SP). A mobilização recebeu o nome de "Carnaval Vermelho".

O grupo de trabalhadores rurais sem-terra reivindica a destinação de fazendas situadas em áreas consideradas devolutas ao Estado para a implantação de assentamentos da reforma agrária.

No total, o movimento social mobilizou 2,5 mil pessoas nas ocupações de nove fazendas nas cidades de Marabá Paulista (SP), Mirante do Paranapanema, Presidente Epitácio (SP), Presidente Venceslau, Rosana (SP), Sandovalina e Teodoro Sampaio (SP).

Com relação ao terceiro inquérito policial instaurado para apurar as ocupações pelos assentados da reforma agrária na região, a Polícia Civil informou que "o ciclo de violência nasce com as extorsões, invasões de terras e com os disparos de arma de fogo, incluindo fuzil por parte de proprietários, o que coloca em risco número indeterminado de pessoas e alija o Estado do processo de controle formal".

"As investigações policiais visam apurar autoria e materialidade, mas também restabelecer a normalidade com consequente rompimento de uma espiral de crimes que podem decorrer desses três fatores: extorsões; invasões e disparos de arma de fogo. Todos os fatos estão sendo investigados em autos autônomos a fim de apurar e identificar autores e de produzir provas sobre a materialidade", informou a Polícia Civil no domingo (5).

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