“Hipócrita! Tira primeiro a trave do teu olho e então poderás ver com clareza para tirar o cisco do olho de teu irmão.” Mt.7-5.

Tenho uma amiga, cujo marido está com Alzheimer e os filhos estão todos casados e não moram mais com o casal. São pessoas de uma idade já considerável. Ontem ao levá-la a missa – ela ama participar da missa – me confidenciou que está muito preocupada. Chegou-lhe aos ouvidos que uma vizinha, a quem ela não sabe identificar, disse que se vê-la maltratando o marido novamente, vai chamar a policia.

Eu perguntei: como assim maltratar? Sou testemunha do carinho com que ela trata o marido.

Ela me revelou que o marido é pesado para que ela o levante sozinha e é necessário puxá-lo com mais energia quando ele está na cadeira de área. Fiquei meditando: como é fácil julgarmos, condenarmos e sentenciarmos as pessoas! É muito mais cômodo fofocar sobre alguém, do que se aproximar e oferecer ajuda.

Tenho certeza de que essa vizinha sabe perfeitamente das dificuldades pelas quais essa amiga está passando. Esse tipo de atitude acontece com muito mais freqüência do que imaginamos.

Existem muitos outros casos de “Alzheimer” por ai, cujas pessoas não dão conta de lidarem sozinhas e também são ignoradas. É muito provável que dentro das casas dessas pessoas que julgam e querem denunciar, falte carinho, solidariedade e acolhimento. A isso eu daria o nome, entre outros, de omissão. Preciso tirar a trave que está no meu olho, antes do cisco do olho do irmão!

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