Sempre se relaciona música a bem-estar e essa prática é tida como uma atividade prazerosa. Isso se deve principalmente aos sentimentos e memórias de cada um. Mas o que leva uma pessoa a gostar ou não de uma música quando a ouve pela primeira vez? Estudos canadenses apontam que, associado à memória musical, áreas do nosso cérebro responsáveis pela identificação de padrões medeiam a reação a uma música desconhecida.
Pesquisadores da Universidade canadense McGill submeteram 19 voluntários a um teste: escutar trechos de músicas que nunca tinham ouvido antes e, para medir se eles gostavam ou não do que tinham escutado, disponibilizavam um software de compra de músicas, semelhante ao iTunes. Assim, os participantes poderiam comprar a faixa completa quando haviam gostado dos trechos. Aliado a tudo isso, os pesquisadores utilizaram imagens de ressonância magnética para observar a atividade cerebral.
A área do cérebro que apresentou maior relação com a decisão de comprar ou não uma música foi o “nucleus accumbens”, região do cérebro relacionada à criação de expectativas e ao prazer. Quanto mais intensa era a atividade desta área enquanto o trecho era executado, mais a pessoa se mostrava disposta a comprar a música.
Isso se deve ao fato que o cérebro está constantemente criando previsões. De acordo com a pesquisa, é isso que torna a música atrativa: o cérebro, através do “nucleus accumbens”, faz previsões de como a música deve se desenvolver, criando expectativas baseadas na experiência musical de cada um. Nesse processo também há atividade do giro temporal superior, área do cérebro relacionada à memória musical. Assim, quando o que se ouve não é como a expectativa, a pessoa tende a não gostar da música e a atividade observada no “nucleus accumbens” é menos intensa. Em síntese, todas as músicas que uma pessoa já ouviu no passado influem no que ela vai gostar hoje, mostrando porque o gosto musical é extremamente único a cada pessoa.
Mais do que entender o que leva uma pessoa a gostar de uma música, o estudo é um dos primeiros passos para entender como estímulos estéticos, aqueles que não têm relação direta com a sobrevivência, também podem ser prazerosos para o homem.
*Ernani Lezier Grigolon – Diretor de Comunicação e Marketing
da Biotec Jr. – Gestão 2013
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