“Dinheiro na mão é vendaval
Na vida de um sonhador
Dinheiro na mão é solução
E solidão”
(da canção Pecado Capital, de Paulinho da Viola)

“Razão e emoção e sua relação com o comportamento financeiro”. Esse, é o tema do artigo da professora Valquíria Batista Bueno, que leciona nos cursos de Administração, Ciências Contábeis e Engenharia Civil da Fundação Educacional do Município de Assis (FEMA), publicado na Revista Cocar, periódico do Programa de Pós-Graduação em Educação da Universidade do Pará. O texto analisa como esses dois fatores influenciam diretamente, decisões financeiras individuais. Para isso, ela realizou uma pesquisa, com sete profissionais de diferentes áreas de atuação. Entre os pesquisados, alguns assisenses.


O resultado revelou, segundo ela, que a razão e a emoção não são dissociadas. “Elas não são separadas. Quando de nossas decisões na hora de adquirir um bem, estas, envolvem tanto a razão quanto a emoção”, explica. Segundo a professora, houve um tempo em que se tinha a ideia de que, quando uma pessoa agia de forma mais impulsiva, dizia-se que ela usava mais a emoção. “Mas, depois de vários estudos, envolvendo a parte comportamental e tudo, constatou-se que, tanto a razão quanto a emoção, estão alinhadas, elas caminham juntas na tomada de decisão, em quaisquer uma daquelas que a gente vá tomar em relação ao nosso comportamento financeiro”, explica.


De acordo com Valéria, não é só uma questão de razão e emoção, que vai fazer com que um consumidor compre mais. Conforme a professora, há outros fatores que influenciam o comportamento do consumidor. “Nós temos os nossos valores, a nossa formação, desde a nossa infância. Coisas que vão agregando no decorrer da nossa vida, e como a gente lida com o dinheiro”, observa.

Valquiria Bueno


“Muitas vezes, a gente pensa que, porque uma pessoa está gastando mais, ela está agindo só de forma emocional, e uma outra, que está poupando, está sendo racional. É preciso entender, que muitas pessoas gastam naquele momento, para atender satisfações momentâneas. Já as que poupam, também estão usando o emocional, pensando no futuro, no longo prazo”, ressalta. Observando por essa vertente, segue a professora, fica claro que tanto a razão quanto a emoção, estão alinhadas. “A gente não separa as duas na nossa tomada de decisão”, afirma.


Para haver um equilíbrio entre essas duas situações, na hora de tomar uma decisão de ordem financeira – compra de um bem, ou investimento – Valquíria Bueno diz que é necessário ter acesso à educação financeira. “A gente vê, conforme estudos mostram, que várias pessoas não tiveram educação financeira, nem quando eram crianças, nem depois de adulto. Mesmo aquelas que têm graduação, pós-graduação, não tiveram acesso a isso. Quando a gente pensa, nessa perspectiva da educação financeira, do quanto ela é importante, é para fazer um preparo para o decorrer da nossa vida, como um todo”, ensina.


Segundo a professora, quem tem educação financeira, terá condições de tomar decisões mais acertadas. “Não quer dizer que, ah!, eu não vou usar o meu emocional, porque eu aprendi. Não, ele vai estar presente”, sublinha Valquíria.


Projeto na escola
Apesar da educação financeira fazer parte da grade curricular, desde 2018, essa iniciativa abrange somente os estudantes do ensino médio. “As crianças do ensino fundamental, não têm acesso”, lamenta. Conforme Valquíria, estudos comprovam o quanto a educação financeira é importante na formação da cidadania nas crianças, para que possam buscar o equilíbrio entre razão e emoção, no futuro.

Assim, seguindo o que ela defende, que é desde criança que se deve aprender a lidar com dinheiro, Valquíria Bueno, já há alguns anos, desenvolve um projeto pioneiro com alunos, com idades entre 9 e 10 anos, do ensino fundamental da Escola Municipal Lucas Thomas Menk, de Assis.


Por meio de três cartilhas, jogos e brincadeiras, a garotada têm acesso aos conceitos da educação financeira. A primeira cartilha, conta a história do dinheiro brasileiro, desde as primeiras moedas, até os dias de hoje. Com essa cartilha, os alunos aprendem também, a respeito do cartão de crédito, de débito, cheque, e o uso do pix. “Aprendem que não é só passar o cartão na maquininha, que está tudo certo. Aprendem que depois vão ter que pagar esse gasto”, explica.


A segunda cartilha, de acordo com a professora, ensina sobre o consumo consciente. “Nela, eles recebem noções, do que é uma compra consciente. Eles aprendem, que a gente não precisa sair comprando tudo aquilo que a gente vê pela frente”, observa. Já na terceira cartilha, conforme Valquíria, os alunos recebem noções sobre o ato de poupar e de investir, a mesada que recebem, por exemplo, para lá na frente, comprarem algo que queiram, “realizando os seus sonhos”, diz.
De acordo com a professora, a resposta dos alunos sobre o que aprendem no projeto, é bastante satisfatória. “Eles interagem muito”, comemora.


A iniciativa se estende também às famílias dos estudantes. “Tem várias situações de intercâmbio com as famílias, porque o projeto foi pensado justamente nisso, em levar uma formação para essas crianças, uma formação para cidadania. E também com o objetivo de agir com as famílias que não têm acesso a essa educação financeira, e que, por meio das crianças, as famílias vão ter acesso”, adianta.


Cartilha usada na educação financeira dos alunos
Para baixar a cartilha, clique aqui.


Para ela, é a educação financeira que vai fazer com que uma pessoa compre naquele momento ou não. Segundo a professora, o consumidor deve saber que há algumas perguntas, que ele deve fazer, quando vai comprar algo: “Eu realmente preciso disso? Será que eu preciso disso agora? Como que eu vou pagar? Eu tenho condições de pagar? Por isso, a educação financeira, é primordial”, sustenta.

E os adultos?
Já o consumidor adulto, que não teve acesso à educação financeira, ainda criança, Valquíria Bueno diz que o Banco Central e alguns outros bancos, oferecem acesso à educação financeira. Mas, a professora lembra que esta, não se resume somente a investimentos:
“É sim, a gente aprender como fazer bom uso do nosso dinheiro. A gente saber quanto a gente ganha, quanto a gente gasta e como a gente deve gastar esse dinheiro, de forma que realmente traga retornos pde um bem eara a gente. Então, a educação financeira, não é só a pessoa procurar uma agência especializada em algo que vai nos ensinar a fazer investimentos, mas sim, a lidar com o nosso dinheiro”, aponta.


Já para o educador financeiro, Fábio Viana, que tem vários livros sobre o tema, a metodologia essencialmente brasileira, surgiu em 2012. Antes, as experiências existentes, eram todas importadas. Segundo Viana, o método brasileiro, é mais comportamental, ou seja, o consumidor tupiniquim, na hora da compra de um bem, ou de investir, age primeiro, para depois pensar. O educador orienta que, antes de uma decisão, a pessoa deve fazer, primeiro, um diagnóstico financeiro – saber quanto recebe e quanto gasta no mês.

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