Recentemente, nossa cidade voltou a enfrentar um episódio de ofensa racial envolvendo um adolescente. E quando isso acontece, não estamos diante de um fato isolado. Estamos diante de um reflexo.

Reflexo de uma cultura que, por muito tempo, tentou normalizar a humilhação.

Porque vamos falar com clareza: expressões como “Negão”, “Preto”, “Criolo” não são brincadeiras quando carregam intenção de diminuir. Foram repetidas por décadas como se fossem naturais. Como se fossem apenas “jeito de falar”. Como se quem escuta tivesse que aceitar sorrindo.

Mas não é normal. Nunca foi.

O que está em jogo não é apenas uma palavra. É o peso histórico que ela carrega. É o tom. É o riso que acompanha. É o constrangimento que silencia.

Um adolescente não deveria voltar para casa questionando o próprio valor por causa da cor da pele. Nenhuma criança deveria aprender tão cedo que sua identidade pode virar alvo.

Escrevo isso não como observador distante. Escrevo como homem negro.

Eu já ouvi.
Eu já senti.
Eu já fingi que não doeu.

Quem nunca passou talvez não compreenda o que é rir por fora e diminuir por dentro. O que é ser reduzido a uma característica física. O que é perceber, nas entrelinhas, a tentativa de colocar você em um lugar menor.

O problema é que esse tipo de ofensa foi tratado como comum. “É só uma brincadeira.”

Não. Não é.

Quando alguém usa a cor da pele para classificar ou inferiorizar, reforça uma mentalidade que insiste em dizer que alguns valem menos.

E isso precisa mudar.

Não queremos privilégios.
Não queremos tratamento especial.
Não queremos divisões.

Queremos o básico: respeito.

Queremos ser vistos como pessoas.
Como estudantes.
Como trabalhadores.
Como cidadãos.

Ainda existem mentalidades que carregam, mesmo que silenciosamente, a ideia de que somos “menos”. E essa é a raiz do problema.

A cor da pele não define caráter.
Não define competência.
Não define futuro.

Ela não nos torna inferiores.
Mas também não nos torna superiores.

Ela apenas conta uma história. E essa história é de resistência, força e superação.

Defender qualquer jovem que sofre preconceito é defender o futuro da nossa cidade. É dizer que Assis pode ser maior do que seus erros. É afirmar que educação também é formação de consciência.

A mudança começa no diálogo. Na orientação. No exemplo. Na coragem de não normalizar aquilo que fere.

E ao jovem que sofreu essa violência: você não é menor. Você não é menos. Você é potência. E sua cor é parte da sua dignidade.

Nós não somos menos.
Nunca fomos.

E seguiremos firmes, com equilíbrio e consciência, construindo uma cidade onde respeito não seja exceção, seja regra.

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Rodrigo de Souza: Publicitário, mestre em Comunicação, Cultura e Arte. Homem negro, cidadão assisense e defensor do respeito, da dignidade e da igualdade.


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