“Este artigo é fruto de análise sociológica sobre políticas públicas e gestão. As ideias aqui apresentadas são pessoais, de caráter crítico e reflexivo, e não correspondem a posicionamentos institucionais. Fundamentam-se no direito constitucional à liberdade de expressão (art. 5º, IV e IX, da Constituição Federal), que assegura a todo cidadão a livre manifestação de pensamento. Como servidor público, compreendo também que minha função social inclui a promoção da cidadania e do debate democrático, contribuindo para o fortalecimento das instituições e para a reflexão coletiva sobre o bem comum.”
Nesta semana, o Brasil atravessou uma oportunidade histórica: ver no banco dos réus homens poderosos que tramaram um golpe de Estado. Políticos do alto escalão e generais de alta patente agora precisam responder por crimes contra as instituições democráticas.
Não bastasse o peso desse julgamento, há ainda a sombra da intervenção escancarada do governo norte-americano — como se retornássemos à cena do crime de 1964, quando a Marinha dos EUA esteve de prontidão para garantir a derrubada de João Goulart e sufocar um projeto progressista nacional.
Os tempos passaram. A sociedade brasileira venceu a ditadura militar, mas não venceu completamente os ranços de uma elite fardada que nunca pagou por seus crimes contra a humanidade. Ainda hoje, arcamos com os custos da “moeda de troca” que permitiu a transição democrática sem justiça plena.
Enquanto isso, marcham pelas ruas grupos alienados, vestidos com as cores da nossa bandeira, mas carregando símbolos estrangeiros — em especial de Estados Unidos e Israel —, países que jamais deveriam interferir em nossa soberania.
Vivemos a era do falso, onde até o nacionalismo propagado pela extrema direita e pela direita se revela uma caricatura, uma farsa. Os governos progressistas que o Brasil conheceu tiveram seus líderes processados, investigados e julgados. Mas em nenhum momento clamaram por intervenção externa. Jamais filhos de ex-presidentes progressistas correram ao estrangeiro pedindo sanções contra seu próprio povo.
O Brasil pertence aos brasileiros, de norte a sul, com todas as suas cores e gêneros, do samba ao sertanejo, da cruz ou da macumba. Nossa democracia só será defendida por nós mesmos.










