Oi, Oi, Oi...

*Alcindo Garcia

Não sou noveleiro, mas a repercussão que o assunto causou na sociedade brasileira (leia-se “Avenida Brasil”) é caso de um estudo sobre o comportamento sociológico do brasileiro. Do 15º andar onde moro, na região da Paulista, posso divisar tanto a Paulista como a 23 de Maio sempre com trânsito congestionadíssimo nas sextas-feiras. Percebi que nesta última sexta-feira por volta de seis horas da tarde, vista do meu terraço em plena hora do rush as avenidas estavam desertas com poucos carros circulando.

Só fui compreender a razão vendo o SP TV, quando o apresentador noticiou que todo mundo estava indo para casa mais cedo para não perder o último capítulo da novela. Ao mesmo tempo o noticiário comentava que o Lula terminara rápido um comício que fazia em São Bernardo do Campo porque não queria perder o final da trama. Com certeza queria saber o que ia acontecer com os corruptos da novela. Na política parece que a arte e a ficção copiam a realidade.

O que faz uma novela ter tanta repercussão? Atores bem escolhidos, com a cara do Brasil. Um hilário Leleco; uma vilã bem aproveitada na pele de Adriana Esteves, personificando uma Carminha que traia e roubava; uma Débora Falabella com olhar de boa menina, porém instilando ódio em cada cena. Um ex-campeão mundial, o Tufão, de coração aberto de bom pai de família, numa belíssima interpretação de Murilo Benício, o mesmo de O Clone. Um caricato e burro Adauto, que no final tirou o Divino Futebol Clube da Segunda Divisão, marcando um pênalti certeiro no canto direito. A cara de suspense que ele fez, imitando o Neymar, antes de bater a falta foi hilária.

O final valeu pelo conteúdo em termos de mensagem. Tufão, Carminha e Nina se reconciliaram. Parabéns ao autor da novela que depois de meses pregando apenas ódio e vingança ao ponto de afastar telespectadores, redimiu-se no último capítulo, exaltando o PERDÃO como única forma de combater a maldade, o ódio, a violência e a vingança.

Toda pessoa, por pior que seja, terá sempre no coração uma sementinha de bondade. Belíssimo final de novela.

(Alcindo Garcia é Jornalista) e-mail: [email protected]

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