Na manhã desta terça-feira, 7, o prédio do Colégio Diocesano, área cultuada por milhares de assisenses, pois faz parte de suas memórias, passou por um processo de demolição, realizada pela Construtora Duaço, proprietária do local desde 2012 e a responsável pela destruição das ruínas que sobraram da instituição escolar.

Salas repletas de alunos. Momentos de agitação típica da infância e adolescência. Tantas amizades cultivadas no período de estudo, risos, lágrimas, aprovações, reprovações, paqueras, festas, formaturas, comemorações, excursões, enfim, são lembranças eternas de acontecimentos marcantes na vida de milhares de alunos que passaram por aquele que foi um dos colégios mais tradicionais da cidade de Assis e região.

O bom e velho “Diocesano” passou tantas lições pedagógicas e de vida a crianças, jovens e adultos através de sua conceituada equipe acadêmica, que a princípio era composta por religiosos.

Gerações passaram pela instituição de ensino, também para cursos universitários, e sentem o final dela.

Hoje, o que restou do prédio antigo , localizado na avenida Dr. Dória, foram ruínas. O imóvel foi leiloado e a Construtora Duaço o comprou, e agora tem o direito para fazer o que desejar da área, e, dessa forma, está executando a demolição da obra.

De acordo com Carlos Dantas, gerente Administrativo da Construtora Duaço, o que restou para o prédio foi a demolição mesmo.

“Infelizmente a demolição foi o que restou ao prédio. Fico triste, pois a área remete à memória de muitos assisenses, mas a destruição foi inevitável por conta da precariedade da área, uma vez que a construção é muito antiga. ASSIM, foi se deteriorando ao longo dos anos, e muitos vizinhos as áreas limítrofes reclamavam do caos em que estava o prédio do antigo Diocesano”, conta.

Ainda, segundo Dantas, a Duaço não possui planos para o que será construído no local.

“Tentamos revitalizar a área, como trazer outras instituições escolares, mas não foi possível por conta do envelhecimento do prédio. A revitalização seria muito complicada”, destaca.

Para os que estudaram, se formaram, e trabalharam na escola restam nostalgia e tristeza com a extinção do que foi um marco na vida de tantos. Muitos estão longe de Assis e ainda mantém amizades cultivadas na época de estudo no Colégio Diocesano.

Acompanhe alguns relatos de ex-alunos:

João Augusto

“Estudei no Colégio Diocesano de 90 a 92, no 2º e 3º Colegial. Foi uma época muito boa da minha adolescência. Eu estudava no Objetivo e um amigo, o Neto Nassif, me chamou para estudar lá. Acabei indo, porque já vivia lá nos horários de intervalo e saída, afinal era ali o point durante as manhãs para ver os amigos e paquerar”, diz João Augusto.

“Lembro-me bem das escapadas para a piscina, sem que seu Tácito ou o Eugênio flagrassem a gente; de tirar o tênis e ficar escorregando no corredor, que era encerado, até seu Tácito pegar e nos mandar para casa almoçar mais cedo! Lembro-me tanto da tia da pipoca e da tia do salgado; as duas eram muito gente boa. Outra lembrança forte que tenho é de pegar as mobiletes da molecada, sem autorização, é claro, e de ir até o Xereta no intervalo. Havia também as viagens com os professores ao Morro do Diabo. Fiquei muito triste quando soube que o colégio iria fechar as portas e também pelo abandono do local, pois lá tem a história de muita gente de todas as faixas etárias de Assis. Agora, com a demolição do prédio, toda uma história e memória de muitos ex-alunos serão apagadas”.

Mazé F. Botter Milani

“Na época em que estudei no Diocesano éramos em seis meninas, o resto eram rapazes, alguns internos de Apucarana, Cambé. Outros moravam em Cândido Mota e Assis mesmo. Chamavam-nos de “Pupilas do Senhor Reitor”, e éramos mesmo. Padre José tinha um xodó conosco que nem dá para descrever. Foi uma época de ouro do Colégio na vida de quem ali estudava! Uma delícia mesmo; um tempo precioso que só deixou marcas boas! As meninas eram a Gabriela Pante, Maris Stella, Christiane, Clari, uma outra Maria José que morava em frente a escola e eu. Falando sobre isso, sinto muita saudade de tudo”.

Fernanda Roncon

“Estudei no Diocesano nos anos de 1987, na sétima série, depois em 89, 90 e 1º semestre em 91. Quando era criança participei de uma colônia de férias muito boa, pois a gente dormia lá e tinha atividades o dia todo. Me deu um nó na garganta quando vi aquilo tudo sendo destruído. Me lembro bem dos professores, das paqueras, do seu Tácito andando pelos corredores e a gente fugindo dele quando fazia alguma coisa errada. Eu morava em Cândido Mota e vinha todos os dias para Assis estudar. Na sétima série eu vinha de ônibus convencional até o Banco do Brasil e pegava o circular em frente ao Itaú. Nossa, são tantas as lembranças que tenho! Outra coisa que jamais esquecerei: as festas juninas de lá, simplesmente ótimas, inesquecíveis”.

Abílio Neto

“Primeiro foi a surpresa quando fiquei sabendo que o prédio havia ido a leilão. Honestamente não sabia que a situação estava tão ruim assim. Era bem triste passar em frente e ver aquele lugar tão grande, que fez parte da vida de tanta gente abandonado, dava uma saudade boa…Na minha opinião, esse prédio faz parte da história da cidade, mesmo antes de ser o Colégio Diocesano que estudei. Depois, quando ficou definido que iriam utilizar o terreno, e consequentemente, teriam que derrubar o prédio fiquei bem triste também, ainda mais o prédio ser todo demolido!!! Achei que iriam preservar alguma parte para uso. Aqui em Assis só estudei lá, e hoje, vejo que foram anos importantes, pelos amigos, pelos professores que passaram por lá, pelos funcionários. Foi uma época muito legal para mim, inesquecível mesmo”, lembra Abílio.

“As festas, como a Junina, eram sempre boas, mas o que mais me marcou foram as amizades que fiz. Tenho amigos daquela época que fazem parte da minha vida até hoje, mesmo estando fora de Assis e até do País. Mas, infelizmente aconteceu, e pelo que tenho ouvido vão mudar muitas coisas no projeto para aquela área e isso é importante para a cidade também. Mas, com certeza, o Colégio Diocesano vai ficar nas nossas vidas para sempre”, comenta o ex-aluno do Colégio Diocesano.

Prédio do Colégio Diocesano é demolido nesta terça-feira, 7
Prédio do Colégio Diocesano é demolido nesta terça-feira, 7
Prédio do Colégio Diocesano é demolido nesta terça-feira, 7

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