Em muitas cidades, a cada troca de gestão, reinicia-se também um ciclo silencioso e custoso: o da descontinuidade. Projetos são interrompidos, prioridades são redefinidas e iniciativas estruturantes acabam limitadas à manutenção básica. Não se trata, necessariamente, de erro administrativo. Mas é legítimo perguntar: por que não concluir o que já foi iniciado?

Ego político? Divergências técnicas? Falta de planejamento de longo prazo? Ou simplesmente ausência de uma cultura institucional que compreenda que a cidade é maior que qualquer mandato?

Em Assis, o Parque das Águas representa um exemplo emblemático dessa reflexão. O espaço, que possui localização estratégica e potencial urbanístico relevante, já demonstrou capacidade de se tornar mais que um ponto de contemplação. Poderia consolidar-se como polo turístico, esportivo e cultural, valorizando não apenas o entorno imediato, mas toda a região onde está inserido.

Hoje, o parque cumpre sua função básica: paisagem agradável, área de circulação, espaço de convivência e pescaria. A manutenção existe, e isso é importante. Mas a pergunta que permanece é outra: isso é suficiente diante do potencial que o local apresenta?

O urbanismo contemporâneo ensina que parques urbanos não são apenas áreas verdes. São instrumentos de desenvolvimento. Quando bem planejados, atraem investimentos, estimulam o comércio local, fortalecem a identidade da cidade e ampliam a qualidade de vida. Transformam-se em cartões-postais, geram pertencimento e movimentam a economia criativa.

Imaginar o Parque das Águas com infraestrutura ampliada, iluminação cênica, espaços organizados para esporte e lazer, equipamentos modernos, integração cultural e calendário permanente de atividades não é devaneio. É planejamento estratégico. É visão de futuro.

A política da continuidade não significa concordar com tudo que foi feito anteriormente. Significa avaliar, aprimorar e concluir aquilo que pode gerar benefício coletivo. Governar não é apagar marcas; é consolidar avanços.

Assis possui condições de estruturar políticas públicas que ultrapassem ciclos eleitorais. Isso exige maturidade institucional, planejamento plurianual e visão estratégica, além da compreensão de que projetos estruturantes pertencem à cidade, não a gestores específicos.

O Parque das Águas pode ser apenas um lago com entorno preservado.
Ou pode tornar-se símbolo de uma cidade que decidiu planejar além do imediato.

A escolha nunca é apenas técnica. É política.
E toda política revela uma visão de cidade.

Rodrigo de Souza é publicitário, mestre em Comunicação, Cultura e Arte e integrante do Conselho Municipal de Cultura de Assis.

Rodrigo de Souza
Comunicador e cidadão comprometido com o futuro de Assis

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