Sete pacientes renais seguem internados no Hospital Regional de Assis enquanto aguardam transferência para tratamento ambulatorial de hemodiálise na Unidade de Nefrologia de Assis, clínica particular conveniada ao SUS responsável pelo atendimento dos pacientes da região e que já está no limite da sua capacidade que são 140 vagas.
De acordo com o Hospital Regional, o encaminhamento dos pacientes para tratamento ambulatorial depende da disponibilidade dessas vagas em unidades especializadas de nefrologia e segue critérios técnicos e regulatórios da Central de Regulação.
O tema ganhou repercussão após resposta oficial da Prefeitura de Assis ao Requerimento 219/2026, de autoria do vereador Lucas Gomes, publicada no Diário Oficial do Município.
Diante da situação, o Portal AssisCity entrou em contato diretamente com a Unidade de Nefrologia de Assis — clínica particular responsável pelo atendimento ambulatorial de hemodiálise de pacientes SUS da região — para esclarecer a situação das vagas e da fila de espera. À nossa reportagem, a clínica informou que abriu duas novas vagas nesta semana, além das já previamente oferecidas.
A Unidade de Nefrologia não possui controle direto sobre a fila de espera dos pacientes do SUS. Segundo a clínica, toda a gestão é feita pelo Departamento Regional de Saúde (DRS IX – Marília), através da CROSS (Central de Regulação de Ofertas de Serviços de Saúde).
“A alocação dos pacientes é feita através da CROSS por ordem cronológica de entrada na lista, que não necessariamente é quando o paciente inicia hemodiálise, pois o paciente pode não apresentar condições clínicas para receber alta no início da terapia”, explicou a unidade.

A clínica destacou ainda que apenas disponibiliza as vagas no sistema quando há capacidade de atendimento. “Nós não temos qualquer gerência sobre a lista, nos cabe apenas disponibilizar a vaga para avaliação no sistema CROSS quando ela está disponível”, acrescentou.
Sobre os pacientes internados no Hospital Regional de Assis, a Unidade de Nefrologia afirmou que existe fluxo entre as instituições, mas reforçou que a definição dos encaminhamentos é feita exclusivamente pela CROSS.
“O Hospital Regional de Assis, nessa situação, é unidade solicitante. Quando há paciente com indicação e condições de alta, o mesmo é inserido no sistema CROSS para vaga de hemodiálise ambulatorial. A Unidade de Nefrologia é unidade recebedora, abrindo vaga para avaliação quando houver disponibilidade”, informou.
Segundo a clínica, o sistema foi criado justamente para evitar favorecimentos na distribuição das vagas entre os pacientes da região.
Outro ponto abordado foi o financiamento do serviço. Atualmente, a Prefeitura de Assis realiza um repasse mensal de R$ 555 mil para auxiliar o atendimento, mas a Unidade de Nefrologia afirma que a hemodiálise segue sendo um serviço subfinanciado no Brasil.
Conforme informado pela clínica, o SUS paga atualmente R$ 240,97 por sessão de hemodiálise, enquanto o Governo do Estado complementa o valor com mais R$ 69,03 por sessão através da Tabela SUS Paulista.
“Conforme enviado anteriormente nas notas e reportagens, a sessão de hemodiálise hoje no Brasil é subfinanciada, com custo médio por sessão superior ao valor repassado pelo governo federal e complementado pelo governo estadual”, destacou a unidade.
O Hospital Regional de Assis reforçou ainda que a realização das sessões de hemodiálise dentro da unidade hospitalar depende da capacidade operacional disponível, considerando fatores como leitos, estrutura física, equipamentos e equipes especializadas.

