O Superior Tribunal de Justiça (STJ) rejeitou mais um recurso apresentado pela defesa de Luiz Paulo Machado de Almeida, motorista acusado de provocar o acidente que matou a estudante de Medicina, Catarina Mercadante, de 22 anos, moradora de Assis, em janeiro de 2023.

A nova decisão mantém o entendimento já adotado pela Justiça em duas instâncias de que o caso deve ser submetido ao Tribunal do Júri, onde será analisado por jurados. Ainda cabe recurso ao Supremo Tribunal Federal (STF), que passa a ser a última tentativa da defesa para evitar o julgamento popular.

Em entrevista ao Portal AssisCity, o advogado da família de Catarina, Caisê Pinheiro, detalhou a tramitação mais recente do processo e explicou que, antes de chegar ao STF, a defesa apresentou um recurso conhecido como embargos de divergência.

Segundo ele, a estratégia dos advogados foi argumentar que havia entendimentos diferentes dentro do próprio STJ sobre casos semelhantes. “Como a Sexta Turma tinha negado o recurso deles e mantido a decisão de pronúncia, determinando a remessa para o Júri Popular, eles apresentaram um recurso chamado embargos de divergência para a Terceira Seção, alegando que a decisão da Sexta Turma contrariava um entendimento da Quinta Turma em um caso análogo”, explicou.

Catarina Mercadante
Catarina Mercadante morreu aos 22 anos após um acidente de carro na rodovia Rachid Rays, entre Assis e Echaporã – Foto: Cedida pela família

Caisê detalhou que a Terceira Seção é formada pelos ministros das Quintas e Sextas Turmas, responsáveis pelo julgamento das matérias criminais no STJ.

Inicialmente, o pedido foi negado de forma individual por um ministro. Posteriormente, a defesa recorreu para que o tema fosse analisado pelo colegiado. “Oito ministros participaram da votação e, de forma unânime, negaram o recurso deles, mantendo a remessa do caso para o Júri Popular”, afirmou.

Recurso ao STF é a última alternativa da defesa

Agora, a defesa ainda pode recorrer ao Supremo Tribunal Federal por meio de um recurso extraordinário.

Apesar disso, o advogado acredita que as chances de reverter o cenário são cada vez menores. “A chance é cada vez mais remota. Na minha opinião, isso só está agravando a situação deles, porque mais ministros estão ratificando a decisão de pronúncia e dizendo que ela está correta, que ele realmente agiu com dolo eventual e deve ser julgado pelo plenário do Júri Popular”, declarou.

Segundo Caisê, a expectativa é que o STF analise o recurso ainda no segundo semestre deste ano. “Eu acho que o Supremo julga agora no segundo semestre, porque os processos estão andando de forma bem rápida”, disse.

Após o esgotamento de todos os recursos, o processo retornará à comarca de origem para os procedimentos finais antes da realização do julgamento. “Depois do trânsito em julgado, o processo volta para a origem. O juiz da Primeira Vara precisa redistribuir e remeter o caso para a Vara do Júri, que é a Segunda Vara. Depois disso, será aberto prazo para o rol de testemunhas do plenário e, então, será marcada a data do julgamento”, explicou.

Família aguarda o julgamento e reforça que a busca é por justiça

A expectativa da família é que o caso finalmente seja apreciado pelo Tribunal do Júri em 2027. “A nossa expectativa é justamente essa: que o Júri aconteça em 2027. Em janeiro daquele ano serão completados quatro anos da morte da Catarina”, afirmou o advogado.

Mana Mercadante, mãe de Catarina, falou sobre os sentimentos que envolvem mais esse desdobramento judicial e a longa espera pela realização do Júri Popular.

Segundo ela, a família sabe que nenhuma decisão será capaz de amenizar a ausência deixada pela jovem, mas acredita que o processo possui um importante papel social. “Como mãe, eu sei que nenhum resultado judicial devolverá minha filha. A Catarina era uma jovem cheia de vida, sonhos e amor. O que buscamos não é vingança, mas justiça”, afirmou.

Mana também destacou a importância da conscientização sobre a responsabilidade no trânsito e a necessidade de que a história da filha sirva como reflexão para toda a sociedade. “Acredito que a memória dela merece respeito e que a sociedade precisa refletir sobre a responsabilidade que cada pessoa tem quando assume o volante”, declarou.

Ela ainda ressaltou que cada novo capítulo do processo revive a dor da perda. “Cada movimentação desse processo traz de volta muitas lembranças e emoções. E agora seguimos aguardando até que seja realmente marcado esse júri tão esperado”, completou.

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