
Por Ulisses Coelho
Uma senhora recém aposentada vive numa avenida de grande movimento. Por ali passam automóveis com equipamentos mais modernos possíveis, acima da velocidade permitida, com motoristas que vivem em um ambiente de cansaço e correria constante.
Por residir em um lugar mal sinalizado, transforma-se em testemunha ocular de boa parte dos acidentes automobilísticos da região. Vez ou outra, quando abre a janela para ventilar seu merecido descanso que é resultado de anos a fio de trabalho, defronta-se com algum tipo de entrevero no trânsito.
Dessa janela presenciou toda natureza possível de colisão. Desde pequenas quebras de seta de moto até as tragédias com vitimas fatais. Viu pessoas darem graças aos céus pela sorte de escaparem com vida e também familiares desesperados ante o falecimento precoce de algum ente querido.
Já apelou para os órgãos competentes de fluidez no tráfego, chegando ao extremo de chamar meios de comunicação em massa, para ver se soluciona o problema de sua estimada continuidade do quintal de casa. Tudo divulgado, relatado e anotado, mas nada resolvido.
Como a alegoria é mais do que conhecida, a única medida eficaz para não mais confundir catchup com sangue humano, foi fechar a janela e abrir outra em uma parede sem vistas para a rua. De vez em quando apenas ouvia o barulho de buzina seguido com um CRASH característico de lata amassada abruptamente.
Quem é culpado pelas catástrofes que vemos na frente de nossa casa, seus agentes ou nossa janela? E como já dizia Nando Reis: “O que os olhos não vêem o coração pressente”. Fechemos nossas janelas e “Live an let die”!
Ulisses Coelho









