Em entrevista ao Portal AssisCity, o avicultor Daniel de Oliveira analisou os impactos da suspensão da exportação de frangos após um caso de Gripe Aviária. A área exporta anualmente 9,6 bilhões de dólares e gera 3,5 milhões de empregos. Prejuízo pode chegar a 2,6 bi. O produtor de Pereiras- SP, importante região do setor, alerta que o momento é de vigilância sanitária máxima e de cooperação entre os estados para que a doença não se espalhe.

O avicultor Daniel de Oliveira – Foto: Imagem Cedida

Portal AssisCity: Como o senhor recebeu a notícia do caso de gripe aviária em uma granja do Rio Grande do Sul? Que impacto isso gerou na sua rotina de produção?

Daniel: Primeiramente foi um grande susto porque o Brasil é um dos maiores produtores de frangos de corte e gera milhões de empregos no setor. O impacto imediato foi a mudança na rotina diária, por exemplo, a troca de botas, sendo uma para ser utilizada no núcleo e outra para adentrar ao galpão.

Portal AssisCity: Mesmo sem registros da doença em São Paulo, sua propriedade está localizada em uma região com alta concentração de granjas e frigoríficos. O senhor acredita que existe um risco de contaminação? Como tem sido a vigilância na região?

Daniel: Sim! Os riscos sempre existem. Porém, estamos reforçando a biosseguridade e contando com os governos estaduais e Federal, para que junto às prefeituras não deixem o avanço da doença invadir nosso estado. Nesses momentos precisamos nos unir por uma causa única: não deixar a doença se espalhar.

Granja localizada em Pereiras, São Paulo – Foto: Imagem Cedida

Portal AssisCity: Como é a estrutura sanitária da sua propriedade? Quais medidas preventivas fazem parte da rotina para preservar a saúde das aves?

Daniel: Em nossa propriedade contamos com corredor sanitário com troca de botas, arco de desinfecção de todos os veículos que acessam o núcleo, tela mosquiteira para compoteiras, tela passarinheiro para que nenhuma ave conseguir entrar no galpão e livro de registro de todo o tráfego dentro do núcleo, com o objetivo de identificar de onde vieram e para onde irão todas as pessoas que no mesmo estiveram.

Ações são realizadas para preservar a saúde das aves – Foto: Imagem Cedida
Foto: Imagem Cedida

Portal AssisCity: Após 17 países e a União Europeia suspenderem as importações, o Ministério da Agricultura estima que levará 28 dias para eliminar o foco de gripe aviária e a retomada plena das exportações, qual tem sido o seu planejamento com relação a formação de um novo lote?

Daniel: Estamos na reta final de um lote e já fomos orientados pelo frigorífico que nosso próximo alojamento demora além do comum por conta dessa crise sanitária. Porém, acreditamos que com todo o esforço, nosso e do governo, em 28 dias conseguiremos vencer esse foco e retomar nossas atividades normalmente.

Foto: Imagem Cedida

Portal AssisCity: O governo tem buscado acordos internacionais para que restrições à exportação sejam aplicadas de forma regional. Como o senhor avalia essa proposta e que tipo de apoio o produtor precisa neste momento?

Daniel: O Brasil possui uma área territorial imensa. Mas, se não realizar uma restrição no país inteiro, acredito que a doença vai chegar no estado de São Paulo e se espalhar pelo país. Por exemplo, ovos do Rio Grande do Sul foram destruídos em Minas Gerais. Os estados não são autossuficientes na produção de ovos. A gente depende da distribuição interestadual para garantir o abastecimento de todas as regiões.
Por isso, defendo que o melhor apoio do Governo Federal é intensificar ainda mais as barreiras sanitárias para o quanto antes eliminarmos o foco e rapidamente nossa exportação voltar. Isso já seria suficiente para nos tranquilizar enquanto produtores.

Portal AssisCity: Como o senhor avalia que será o impacto econômico que essa crise
pode causar aos produtores do setor?

Daniel: Ainda não estamos sentindo esse impacto da economia. Porém, ele existirá porque muitos ovos foram descartados e isso gerará um atraso no alojamento e consequentemente isso impactará no mercado e mesa da população.

Portal AssisCity: Analisando o futuro do setor, o senhor acredita que essa crise vai promover mudanças nos protocolos de biosseguridade das granjas do Brasil?

Daniel: Sim. Acredito que somente com biosseguridade conseguiremos extinguir essas doenças virais, influenza e newcastle, que são graves na avicultura e que no momento são as maiores responsáveis por milhares de galinhas e frangos mortos no mundo inteiro.

Considerando a partir de 15 de maio, o governo prevê um prazo de 28 dias para finalizar o plano de contenção. Esse intervalo equivale ao ciclo do vírus H5N1. Somente após esse período, e na ausência de novos casos, o país poderá retomar as exportações.

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