AS CONSEQUÊNCIAS DO VENTO

A cidade de Assis viveu o caos nos últimos dias. A falta d’água afetou todo o Município, enquanto ventos fortíssimos atingiram a região e causaram estragos. Energia e água faltaram, deixando no centro das atenções duas empresas que concentram responsabilidades fundamentais na vida cotidiana da população: Energisa e Sabesp.

Após várias quedas de árvores e inúmeros cabos rompidos, a cidade mergulhou em um verdadeiro apagão. Segundo a Energisa, as equipes em campo foram triplicadas para a resolução dos problemas e os trabalhos seguiriam sem interrupções. Apesar do esforço declarado, milhares de famílias continuaram no escuro por aproximadamente 48 horas.

RESERVAS DE ÁGUA SÃO SUFICIENTES EM ASSIS?

Boa parte da água consumida em Assis é extraída de poços profundos. As bombas de extração necessitam de energia elétrica. Sem geradores disponíveis, a Sabesp não conseguiu manter a distribuição. Eis o ponto que merece reflexão: seria apenas ausência de planejamento da companhia, ou a crise climática expôs uma escassez de reservas que a população desconhece?

E O PODER PÚBLICO ASSISENSE?

Este fato precisa servir de alerta. O poder público assisense (Prefeitura e Câmara Municipal) e a sociedade civil devem cobrar transparência, investimentos concretos em infraestrutura e medidas preventivas que impeçam que novos apagões transformem a vida cotidiana em caos.

Mais do que eficiência financeira, espera-se destas companhias a eficiência social: a capacidade de assegurar serviços básicos de forma contínua e digna.

Mais do que agir nos momentos de crise, espera-se que Prefeitura e Câmara atuem preventivamente.

OS NÚMEROS

Enquanto o cidadão comum se viu impossibilitado de trabalhar, estudar, ou mesmo realizar tarefas básicas em casa, os balanços financeiros das duas empresas seguem superavitários. A Energisa apresentou resultados expressivos no segundo trimestre de 2025, com lucro líquido ajustado de R$ 440,5 milhões, alta de 32,5% em relação ao ano anterior. O EBITDA alcançou R$ 1,9 bilhão, crescimento próximo de 22%. Já a Sabesp encerrou o mesmo período com lucro líquido de R$ 2,13 bilhões, avanço de 76,6% em comparação ao ano anterior.

Diante desses números, a pergunta é inevitável: como empresas que ostentam cifras bilionárias deixam uma cidade do porte de Assis sem água e energia por quase dois dias seguidos? Qual a contrapartida social da eficiência financeira que exibem aos investidores?

QUAL O LEGADO DA PRIVATIZAÇÃO DA SABESP?

No caso da Sabesp, a reflexão ganha contornos ainda mais profundos. A privatização em andamento promete avanços e investimentos, mas o episódio recente deixa uma sombra de dúvida: que legado de fato será construído em municípios do interior como Assis?

As respostas ainda não estão dadas. Mas a crise climática revelou vulnerabilidades que não podem mais ser escondidas sob comunicados oficiais. Assis precisa saber se a falta de água decorreu unicamente da ausência de geradores, ou se há uma crise estrutural de reservas hídricas silenciosamente em curso.

Em suma, o episódio não foi apenas um apagão de energia. Foi, sobretudo, um apagão de confiança em companhias que, mesmo sustentadas por lucros expressivos, não conseguiram garantir o mínimo: a dignidade de uma cidade que, em meio à tempestade, ficou à mercê da própria sorte.

Este texto é um artigo de opinião e reflete exclusivamente a visão de seu autor. O Portal AssisCity não se responsabiliza pelo conteúdo aqui expresso, que não representa, necessariamente, a posição editorial do veículo.

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