Neste outubro, Assis tem vivido capítulos que convidam à reflexão sobre a forma como o poder público se comunica com a população.

Duas situações se destacam: a primeira foi a tensão em torno da Creche Colo de Mãe e da Casa da Menina; a segunda é o chamado Caso IEDA.

Até aqui, o que mais chama a atenção não é exatamente o contrato do prédio do antigo IEDA em si, mas o silêncio da prefeita — geralmente tão ativa nas redes sociais.

COLETIVA NO PAÇO: IMAGENS FALAM MAIS QUE PALAVRAS

Em coletiva à imprensa no início do mês, a prefeita Telma destacou que o comando e as decisões são de sua responsabilidade.

Cercada por secretários e posicionada ao centro para tratar da crise da creche, transmitia a imagem de unidade — uma unidade, contudo, fortemente hierarquizada, conforme suas próprias palavras deixaram transparecer.

Enquanto a secretária de Educação, figura central no episódio, permanecia em absoluto silêncio, a fala da prefeita reforçava a ideia de que seu comando é sólido e de que a palavra final é dela:

“É preciso deixar claro: quem decide sou eu”, afirmou.

Ficou a impressão de que o que vale é o que a prefeita diz — e o que seus secretários dizem pode, por vezes, parecer secundário ou passageiro.

Diante dos fatos sobre as creches, do silêncio da secretária e das afirmações da prefeita sobre seu modo de governar, não basta que a Prefeitura publique contratos, notas oficiais ou delegue a fala a um secretário. É preciso ouvir a voz da própria chefe do Executivo.

NOVO ESPISÓDIO; O CASO IEDA

Em entrevista ao Portal AssisCity, a família Zwicker afirmou não ter autorizado a locação do imóvel do antigo IEDA, embora o nome de uma das herdeiras conste como fornecedora no contrato.

O caso levanta dúvidas legítimas sobre como o processo de formalização ocorreu e quais procedimentos foram seguidos.

Segundo matéria publicada nesta terça-feira (27) pelo mesmo portal, o grupo empresarial com o qual a família Zwicker diz ter negociado o imóvel em 2013 — sem que a venda fosse concluída por descumprimentos contratuais — encontra-se em recuperação judicial, com passivo superior a um bilhão de reais.

O QUE AFIRMA A PREFEITURA?

A Prefeitura afirmou em nota enviada à imprensa que “todas as tratativas referentes ao imóvel onde funcionava o antigo IEDA foram conduzidas com a devida verificação da titularidade do bem”, acrescentando ainda que “a Prefeitura de Assis reafirma seu compromisso com a legalidade, a transparência e o correto uso dos recursos públicos”.

Diferentemente de outras ocasiões, ainda não houve uma manifestação enfática sobre o caso.

Se, na crise da creche, vimos uma prefeita que se colocou como ponte entre governo e população, talvez agora seja o momento de reencontrar essa mesma voz para esclarecer o que de fato aconteceu nos corredores do Paço Municipal.

NOTA DA UNIESP

A União das Instituições Educacionais do Estado de São Paulo (Uniesp) esclarece que o imóvel, onde funcionou o Instituto Educacional de Assis (IEDA), foi adquirido em 2013 com a formalização de um acordo que envolveu a compra da operação educacional e do ativo imobiliário.

Na ocasião, foi realizado o pagamento imediato de parte do valor acordado e a previsão de valor complementar foi condicionada à conclusão de due diligence, verificação e auditoria realizada antes da conclusão definitiva de um negócio, com o objetivo de analisar a situação real do ativo adquirido.

Concluída essa apuração, constatou-se que os passivos identificados eram superiores ao valor que ainda poderia ser pago aos antigos proprietários. Diante desse cenário, e conforme previsto contratualmente, não houve pagamento adicional.

O processo para regularizar a transferência de titularidade do imóvel foi iniciado e está em tramitação junto aos órgãos competentes, respeitando os prazos e os processos legais aplicáveis.

Em relação ao IPTU, o parcelamento firmado junto à Prefeitura Municipal de Assis está com os pagamentos em dia.

A instituição observa que o tema tem sido inserido em um ambiente de debate público e que o imóvel em questão também foi utilizado pela gestão municipal anterior sem que houvesse questionamentos e manifestações semelhantes. A universidade reforça que não atua por interesses políticos, eleitorais ou partidários, mantendo sua conduta pautada por critérios técnicos, legais e administrativos.

A Uniesp reafirma seu compromisso com a transparência em suas ações e processos e estuda a adoção de medidas judiciais cabíveis, com o objetivo de preservar seus direitos patrimoniais e proteger sua reputação institucional.

Esta matéria foi atualizada às 17h03 do dia 19 de dezembro de 2025 para a inclusão da nota da UNIESP.

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