A descoberta de uma traição é um momento doloroso dentro de um relacionamento. O choque inicial pode vir acompanhado de tristeza, raiva, frustração, sensação de humilhação e quebra de confiança. Para muitos casais, a dúvida surge quase imediatamente: ainda vale a pena tentar reconstruir ou é melhor encerrar a relação?

De acordo com estudos das psicólogas e pesquisadoras Marli Kath Sattler e Soraya Rodrigues de Aragão, não existe resposta pronta. Cada caso envolve uma história, sentimentos e contextos diferentes, o que exige reflexão e diálogo antes de qualquer decisão.

O impacto emocional

Além do sofrimento psicológico, a traição pode gerar reações físicas e neurológicas. Marli Kath Sattler, explica no artigo científico “Reconstrução de relacionamento pós-infidelidade: será esta uma alternativa possível?”, que a quebra de confiança ativa áreas do cérebro ligadas ao medo e à ameaça, semelhantes às respostas de situações traumáticas.

Por isso, é comum que a pessoa traída apresente sintomas como: ansiedade constante, dificuldade para dormir, pensamentos repetitivos sobre o ocorrido, crises de choro, insegurança excessiva ou necessidade de vigilância do parceiro. Em alguns casos, o impacto pode se assemelhar a um estresse pós-traumático.

Já quem traiu, também pode enfrentar sentimentos de culpa, vergonha, medo de perder o relacionamento e dificuldade para lidar com as consequências.

Segundo a psicóloga, a confiança é um dos pilares centrais de qualquer relacionamento amoroso, especialmente nas relações construídas sob o compromisso da monogamia. Quando ocorre uma infidelidade, esse alicerce é abalado de forma profunda, gerando dor, insegurança e incertezas sobre o futuro do casal. Ela aponta que, especialistas explicam que a quebra de confiança pode desencadear sentimentos intensos de medo, raiva e autoproteção, tornando o processo de reconciliação longo e emocionalmente desgastante.

De acordo com o estudo do psicólogo Robert Leahy, no livro “A cura do ciúme”, a sensação inicial de que o relacionamento não pode ser salvo é comum nesses casos. “O sentimento de que não será possível recompor o relacionamento é natural, já que a situação é muito penosa, e o medo de ser magoado novamente desperta uma forte necessidade de autoproteção”, destaca o autor.

Marli Kath Sattler ainda aponta que, apesar de a responsabilidade pela traição recair sobre quem cometeu o ato, a reconstrução da relação depende do envolvimento dos dois parceiros. O processo exige diálogo aberto, estabelecimento de limites claros, escuta empática e mudanças de comportamento que transmitam segurança.

Além do sofrimento psicológico, a traição pode gerar reações físicas e neurológicas. Marli Kath Sattler, explica que a quebra de confiança ativa áreas do cérebro ligadas ao medo e à ameaça, semelhantes às respostas de situações traumáticas.

Por isso, é comum que a pessoa traída apresente sintomas como: ansiedade constante, dificuldade para dormir, pensamentos repetitivos sobre o ocorrido, crises de choro, insegurança excessiva ou necessidade de vigilância do parceiro. Em alguns casos, o impacto pode se assemelhar a um estresse pós-traumático.

Reconstruir um relacionamento, significa criar novas bases. Foto: Freepik
Reconstruir um relacionamento, significa criar novas bases. Foto: Freepik

É possível reconstruir?

Apesar da dor, a reconstrução é possível, mas exige esforço real dos dois lados. Não basta “esquecer” o que aconteceu. Para Soraya Aragão, reconstruir significa criar novas bases para o relacionamento: “Reconstruir não é apagar o ocorrido, mas desenvolver uma relação mais consciente, com novos acordos e maior maturidade emocional”, afirma ela.

Entre as atitudes consideradas essenciais pela psicóloga para restabelecer uma boa relação, estão:

  • reconhecimento sincero do erro, sem justificativas ou minimizações
  • escuta respeitosa da dor do parceiro
  • transparência nas atitudes
  • retomada do diálogo
  • revisão de expectativas e limites
  • terapia individual ou de casal

Quando terminar pode ser mais saudável

As profissionais também alertam que nem todo relacionamento deve ser mantido a qualquer custo. Em situações de repetição de traições, desrespeito, violência emocional ou falta de arrependimento, insistir pode aumentar o sofrimento. “Nesses casos, a separação pode ser uma forma de autopreservação”, destaca Soraya.

Para ela, encerrar o vínculo, não significa fracasso, mas uma escolha de cuidado pessoal. O importante é buscar apoio emocional e refletir sobre aprendizados para futuras relações.

Definição de traição

Ainda segundo o artigo de Marli Kath Sattler, “Reconstrução de relacionamento pós-infidelidade: será esta uma alternativa possível?, a infidelidade vai além do ato carnal. Ela pode acontecer também no campo emocional, quando há envolvimento afetivo, trocas de intimidade, segredos ou cumplicidade com outra pessoa sem o conhecimento do parceiro.

“A infidelidade poderá estar associada tanto a um envolvimento sexual quanto emocional com outra pessoa, sem o conhecimento ou consentimento do cônjuge”, explica a pesquisadora.

Ela destaca que é importante olhar para a situação de forma mais ampla, considerando três dimensões principais: fatores do relacionamento, fatores individuais e circunstâncias externas.

Entre os problemas do próprio casal, aparecem falhas na comunicação, distanciamento afetivo, rotina desgastante, falta de diálogo sobre expectativas, queda na intimidade e conflitos mal resolvidos.

Nunca é por acaso

De acordo com Soraya Rodrigues de Aragão, no artigo “Infidelidade conjugal, e agora? Reconstruir a relação ou seguir em frente sem repetir feridas?”, publicado no Portal Raízes, a traição raramente surge de forma repentina. Muitas vezes, ela é consequência de um desgaste que se instala aos poucos: “A infidelidade não aparece como um evento isolado, mas como a manifestação visível de um distanciamento que já vinha se construindo silenciosamente”, diz a psicóloga.

Ela compara a situação a rachaduras em uma casa: “no começo são pequenas, mas, sem manutenção, comprometem toda a estrutura. A entrada de uma terceira pessoa, nesse caso, apenas evidencia um problema que já existia”, explica Soraya.

A especialista ressalta ainda, que reduzir a situação a “culpado e vítima” pode impedir uma compreensão mais profunda do que levou ao rompimento do vínculo: “A lógica simplista de culpados e inocentes raramente dá conta da complexidade emocional envolvida”, explica ela.

Cada casal precisa avaliar a sua história, contexto e sentimentos, conclui pesquisa. Foto: Freepik
Cada casal precisa avaliar a sua história, contexto e sentimentos, conclui pesquisa. Foto: Freepik

Sem respostas universais

Segundo os artigos das psicólogas, a decisão deve ser tomada com calma, sem pressões externas ou impulsos do momento. Cada casal precisa avaliar se ainda existe amor, respeito, compromisso e disposição para mudanças reais.

Quando há diálogo, responsabilidade e acompanhamento profissional, a crise pode se transformar em oportunidade de crescimento. Quando não há, seguir caminhos separados pode ser o mais saudável.  Pois no fim, o essencial é preservar o bem-estar emocional, juntos ou não.

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