Essa é a parte da dinâmica que pouca gente fala. É desconfortável, polêmico talvez.
O adulto disfuncional não precisa mudar enquanto alguém estiver compensando a sua falta de maturidade.
Alguém organiza o que ele bagunça, resolve o que ele evita, sustenta a responsabilidade emocional que ele não assume.
E enquanto isso acontece, a narrativa costuma ser injusta. Quem faz demais começa a se perguntar se está exagerando, cobrando demais, ou até se questiona se deveria ser mais paciente.
O que parece “amor” muitas vezes é só compensação constante. E compensar o funcionamento disfuncional de alguém tem um custo alto: exaustão, ressentimento e muitas vezes, a sensação de estar vivendo uma relação sozinho.
Então talvez a pergunta não seja “por que ele ou ela não muda?”
Talvez a pergunta seja: por que você continua sustentando o que não deveria ser seu para sustentar?
Adultos que não sabem fazer tarefas básicas da própria vida, que não sabem organizar a própria rotina, que não sabem resolver problemas simples.
Que não sabem fazer e não têm intenção real de aprender.
Não é sobre não saber. Ninguém nasce sabendo. Mas, não se responsabilizar por aprender aquilo que sustenta a própria autonomia.
Porque adultos disfuncionais podem até ser imaturos. Mas, romantizar e naturalizar a irresponsabilidade e inutilidade, não ajuda, somente camufla um conflito explícito. A dinâmica simplesmente se estabelece entre um adulto que assume responsabilidades, enquanto o outro se acostuma a ser cuidado. E assim, a sobrecarga recaí sobre quem se dispõe.
Somos capazes de nos cuidar e principalmente, aprender.
