Faltam apenas 11 dias para o início do Rock Cidade, festival que marca o retorno de um dos eventos mais emblemáticos da história cultural deAssis após mais de duas décadas. Nos dias 15 e 16 de maio, a Praça da Bandeira será tomada por guitarras, distorções e diferentes vertentes do rock, reunindo 12 bandas locais e regionais, além do show especial de Di Ferrero, vocalista do NX Zero, que encerra a primeira noite.

O evento, que é uma iniciativa da Prefeitura Municipal de Assis, por meio da Secretaria de Cultura, conta com entrada solidária com um litro de leite, que será destinado a entidades assistenciais do município. Com estrutura voltada para toda a família, durante o evento também haverá foodtrucks, lojinhas e brinquedos gratuitos para crianças.

Foto: Divulgação/PMA

E é justamente abrindo essa maratona sonora, na sexta-feira, 15 de maio, que a Rádio Tcheka sobe ao palco, trazendo consigo mais do que um repertório: uma identidade construída entre festas universitárias, referências múltiplas e uma boa dose de irreverência.

Do underground universitário ao palco principal

Formada em 2022, em Assis, a Rádio Tcheka nasceu em meio ao circuito universitário da cidade. O nome curioso é, na verdade, uma homenagem afetiva. “O nome veio de uma república chamada ‘República Checa’, onde a gente tocava com frequência. Era quase nossa casa”, relembra o vocalista e baixista Artur Bez.

Desde então, o trio vem moldando um som que transita entre o rock & roll, o pop/rock e o rock dos anos 2000, sem abrir mão da versatilidade. “A gente se define como uma banda de rock, mas não se prende. Tocamos de tudo um pouco para dialogar com o público”, explica Artur.

E essa abertura vai além do óbvio: a banda também se aventura em outros territórios musicais. “A gente também faz Carnaval. Já tocamos nas últimas festas da Prefeitura e levamos axé. Brincamos que somos o primeiro power trio de axé da história”, diz, entre risos.

Influências, atitude e a alma do rock

Como toda banda que respira estrada, a Rádio Tcheka carrega influências diversas, que vão dos clássicos do rock nacional e internacional ao chamado emocore, passando por hardcore, punk e vertentes mais contemporâneas.

A gente pensa muito no público. Toca aquilo que conecta, que faz a galera cantar junto, mas sem perder a essência do rock”, resume o vocalista.

Essa essência, aliás, vai além do som, é também postura. Em um cenário dominado por outros gêneros musicais, manter uma banda de rock ativa é, para eles, um ato quase político.

Quem gosta de rock pratica uma certa resistência. É um estilo que carrega crítica, personalidade e uma agressividade no bom sentido”, afirma Artur.

Entre a paixão e os desafios da cena independente

Se o palco é espaço de expressão, os bastidores revelam outra realidade. Para a Rádio Tcheka, ser uma banda independente no interior exige mais do que talento.

A cena é viva, tem muita gente produzindo, muitas bandas boas em Assis. Mas falta estrutura e incentivo”, avalia Artur. Segundo ele, a predominância de outros estilos musicais na região, como o sertanejo e o funk, acaba reduzindo os espaços dedicados ao rock.

Além disso, há uma questão estrutural que impacta diretamente os músicos: a dificuldade de profissionalização. “Um dos maiores desafios é transformar isso em uma atividade lucrativa. Falta uma cultura de valorização e até de união entre os músicos”, pontua.

Ele aprofunda a crítica: “Não existe um ‘piso’ de cachê. Às vezes você recusa um valor baixo, mas outro aceita porque precisa. É compreensível, mas mostra que ainda falta um certo corporativismo na classe”.

E há também o reconhecimento social. “Muita gente ainda acha que músico não trabalha. Mas tem investimento, ensaio, estudo… subir no palco é resolver problema o tempo todo. As pessoas veem o glamour, mas não veem o corre”, completa.

O convite para o Rock Cidade

O convite para participar do festival veio de forma direta — e foi aceito sem hesitação. “Foi um convite muito especial da Secretaria de Cultura. A gente aceitou na hora. Participar do Rock Cidade é um prazer enorme”, afirma Artur.

Mais do que um show, a apresentação representa um reencontro com a história cultural da cidade. “É o retorno de um evento importante. Vai ser muito bom confraternizar com todo mundo, com outras bandas e com o público”.

O que esperar da abertura do festival

Sem trabalhos autorais lançados até o momento, a Rádio Tcheka aposta na energia ao vivo como seu principal cartão de visitas. E promete não economizar entrega.

A gente abre o festival, às 18h de sexta-feira. Pode ser um horário com menos público, mas quem estiver lá pode esperar muita energia, animação e música boa”, garante o vocalista.

Se depender da intensidade do trio, o Rock Cidade começa alto e com o volume no máximo.

Ao longo da semana, o Portal AssisCity seguirá apresentando as demais bandas que compõem o line-up do festival, revelando histórias, influências e bastidores de quem mantém o rock vivo na região.

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