O atual movimento estudantil (?) de tomada de algumas escolas estaduais, em protesto pela reorganização escolar proposta pela Secretaria da Educação Estadual, parece ser mais um capítulo da insanidade geral que tomou conta do ensino público no Brasil, nas últimas décadas.

Num primeiro momento, seria de se pensar, positivamente, que o tal movimento estudantil é expressão vitoriosa da cidadania. Afinal, ver jovens estudantes se manifestando firmemente em favor da educação é coisa de se aplaudir.

Mas uma reflexão mais aprofundada revela que não é bem assim. Não estão interessados em melhorias na educação, mas apenas na manutenção de suas posições, de seu conforto e status quo. Não têm qualquer argumento consistente contra a mudança, são apenas contra.

Aliás, quem teve oportunidade de ver o vídeo que o ASSISCITY divulgou dias atrás pôde bem observar que o movimento estudantil é, claramente, comandado por professores e por outras pessoas. Afinal, quem estava à frente dos portões, para impedir que a oficial de justiça Adriana cumprisse pacificamente seu dever não era nenhuma frente de alunos.

Qual seria o argumento sério para opor-se à reorganização? Do ponto de vista pedagógico, parece bastante defensável a tese da separação das escolas por faixas etárias e ciclos de ensino.

Foi um erro imenso reunir, numa mesma escola, alunos de todas as faixas etárias, o que a atual reorganização procura corrigir.

Os alunos mais novos tendem a assimilar os comportamentos dos mais velhos, sobretudo os comportamentos socialmente negativos.

Para mencionar apenas um aspecto dessa questão, é preciso ponderar que nesse ambiente, que é um paraíso para o tráfico de drogas, a livre comunicação entre as diversas faixas etárias facilita muito a disseminação do uso de drogas.

Assim, parece-me que, pedagógica e socialmente, a separação de escolas segundo as faixas etárias dos alunos e seu estágio de aprendizagem é mais do que recomendável.

Aliás, era assim nas décadas de 50 e 60, quando havia até mesmo dificílimos exames de acesso, para passar de um estágio a outro (os exames de admissão). A separação permite melhor planejamento, com a unidade escolar concentrando seus recursos humanos e materiais para atender apenas a um ciclo de ensino.

Sob outro ângulo, é preciso considerar o direito de o Governo redistribuir a rede escolar de modo a dar-lhe a maior economicidade possível, sem prejudicar a oferta e a eficiência.

Toda mudança contraria interesses e confortos pessoais já estabelecidos, mas os interesses pessoais contrariados, por mais respeitáveis que sejam, não podem ser motivo para se contrapor ao interesse maior da coletividade, em busca de um ensino mais produtivo e eficiente, seja do ponto de vista pedagógico, seja do ponto de vista econômico e social.

Talvez se possa censurar a Secretaria de Educação por não ter sido eficiente no esclarecimento prévio de seu projeto. Respeito as opiniões em contrário, mas ser contra por puro voluntarismo, é uma insanidade. ([email protected])

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A invasão das escolas estaduais - Um capítulo de insanidade

[/left] Por José Benjamim de Lima

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