Alea iacta est -

*Henrique H. Belinotte

Ela retrata uma das passagens marcantes do império romano. A frase acima e que ficou famosa é de Júlio César, ao atravessar o Rubicão.

Sem dúvida, no entanto, pode ser aplicada também ao momento político atual, com o início da campanha eleitoral que irá escolher os próximos prefeitos e vereadores para o período de 2013/2016. A sorte está lançada.

Como já era previsto, em todas as cidades da região de Assis, haverá disputa intensa pelas vagas. No caso de Assis, especificamente, o número de candidatos suplantou as expectativas e poderá ter uma disputa com até sete candidatos à Prefeitura Municipal.

Tem-se a impressão que ser Prefeito é a melhor coisa do mundo.

No entanto, o que se observa é que se permanecer esse quadro, o eleito terá uma representatividade que não expressará vontade da maioria dos eleitores. Essa partilha de votos pode comprometer a administração vencedora, com minoria na Câmara,

Mas, o que se observa é que todos querem ser candidatos a Prefeito. Ninguém abre mão para viabilizar um grupo capaz de gerir os destinos de uma cidade.

E para se escolher os vices, então, foi uma tarefa árdua. Aliás, deveria ser extinto o cargo de vice-prefeito. Não serve para muita coisa. Sempre é descartado e não participa da administração.

De outro lado, olhando o panorama eleitoral, observa-se que as eleições majoritárias despertam muito mais a atenção dos eleitores. O fascínio pelos vencedores ainda continua, desde os tempos do império romano.

Os milhares de candidatos às Câmaras Municipais estes sim, percebem que sua sorte ainda vai depender de quantos eleitores conseguirão amealhar para suas candidaturas. Mas eles se parecem a um bando de pombas catando os grãos que caem à beira do caminho, depois que a caravana principal já passou.

Esta a situação política que vivemos no Brasil. Ela carrega um peso enorme de fatalidade, que vai repetindo o mesmo panorama, que é decidido por forças alheias á dinâmica propriamente política, que estaria baseada no poder, na liberdade e no discernimento dos eleitores.

Como o poder que Júlio César experimentava por ter conquistado a Gália, existem no Brasil poderes que se fazem valer no tempo das eleições, e que definem muito mais o resultado eleitoral do que a consciência livre dos cidadãos. É o peso do poder econômico!

Sem dúvida, que isto não tira o valor democrático, e pedagógico, das eleições.

Elas continuam sendo o melhor instrumento para estimular e captar a responsabilidade política dos eleitores. Por ocasião das eleições nos damos conta de como o processo político poderia ser modificado, para que expressasse melhor o empenho constante dos cidadãos em constatar necessidades, identificar problemas, e criar consensos para resolvê-los.

Existem desafios políticos muito grandes para a administração de um município.

É preciso definir com muito mais clareza e convicção o projeto da cidade que queremos, para implementá-lo através da participação permanente dos cidadãos, e não somente por delegação a representantes do povo, mesmo que esta continue sempre sendo válida e necessária. Mas ela não pode nunca significar uma abdicação do poder popular direto.

Não se deve curvar a interesses outros que não seja o crescimento e desenvolvimento com responsabilidade. E que a utilização do dinheiro público seja no sentido de promover o avanço e crescimento. E não o enriquecimento de poucos, como tem acontecido com freqüência.

O desafio para o próximo governo no caso da nossa região é promover, logo no seu início, uma verdadeira mudança nos hábitos de administrar, que garanta e estimule a participação do povo na definição dos seus destinos.

Uma façanha, sem dúvida, maior do que aquelas que rendem os votos para os vencedores desta eleição de 2012.

Henrique H. Belinotte – advogado do escritório Belinotte & Belinotte advogados

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