Ana Lívia, de apenas 4 anos, está internada na Santa Casa de Assis desde o último sábado, dia 24 de maio, e aguarda, sem previsão, atendimento de um cirurgião pediátrico. A criança sofre com fortes dores no pescoço, febre persistente e, segundo a família, já enfrenta esse quadro desde o início de maio. A mãe, Vitória Santos, denuncia falhas no diagnóstico inicial, demora nas transferências e ausência de estrutura adequada para o atendimento da filha.
Os sintomas começaram no dia 7 de maio, quando Ana Lívia apresentou febre, vômito e sinais de gripe. Levada ao Pronto Atendimento do Maria Isabel, ela foi medicada com xarope e dipirona após diagnóstico de “gripezinha”. Sem melhora, na sexta-feira seguinte surgiram feridas pelo corpo, e a suspeita inicial foi de catapora.
No domingo, 11 de maio, Dia das Mães, Vitória voltou a procurar atendimento, desta vez no UPA, onde Ana Lívia foi diagnosticada com impetigo, uma infecção de pele comum em crianças, causada por bactérias e caracterizada por feridas avermelhadas que podem formar crostas. “Ela estava com bastante febre e as feridinhas tinham estourado pelo corpo e rosto”, contou a mãe.
Na segunda-feira, dia 12, Ana Lívia retornou ao UPA com febre alta, tosse, garganta inflamada e as feridas espalhadas. Vitória pediu exames e internação, mas novamente a criança foi liberada, com orientação para aguardar 72 horas por melhora. Durante esse período, o quadro piorou. “O pescoço dela começou a inchar dos dois lados, ela travou o pescoço, não mexia, gemia de dor. Foi aí que me preocupei de verdade.”

Em 14 de maio, a criança foi levada novamente ao Maria Isabel e depois ao UPA, quando se levantou uma suspeita de que se tratava de uma meningite. De madrugada, foi transferida para a Santa Casa, onde foi atendida pelo médico plantonista da unidade e que considerou se tratar de uma infecção bacteriana que havia inflamado os gânglios do pescoço. “Apesar disso, no dia seguinte a criança foi liberada sem receita médica nem antibiótico. Mandaram a gente embora com indicação apenas de um banho roxo para as feridas, que eu já estava fazendo em casa.”
Na sexta-feira, dia 16, o quadro se agravou novamente: febre de 39ºC, pescoço travado e fortes dores. A mãe tentou cuidar da filha em casa, mas sem sucesso. Em 21 de maio, voltou ao UPA, onde Ana Lívia foi internada e incluída no sistema SIRESP com pedido de vaga para exames e cirurgia. Segundo Vitória, a espera durou 3 dias e foi marcada por desencontros de informações. “Disseram que a vaga tinha saído, mas era mentira. Só depois de um apelo nas redes sociais e com a mobilização de alguns vereadores que conseguimos que ela fosse transferida novamente para a Santa Casa”, contou.
No sábado, dia 24, a internação foi efetivada. No entanto, no dia seguinte, de acordo com a mãe da menina, o cirurgião plantonista informou que não poderia assumir o caso, pois atendia apenas pacientes a partir de 13 anos. “Minha filha tem quatro. E precisa de um cirurgião pediátrico, mas até agora ninguém apareceu. Disseram que iriam colocá-la na SIRESP para esperar vaga em outro hospital, como em Marília. Mas não deram prazo. Pode ser amanhã, pode demorar três dias”, disse a mãe.
Diante da angústia e da incerteza, a mãe afirma que só quer um diagnóstico preciso e um tratamento adequado. “Ela está exausta. Cada dia que passa, sofre mais. Se não resolverem, vou voltar a postar, porque só assim alguém se mexe.”
Nota da Santa Casa
Procurada pelo Portal AssisCity, a Santa Casa de Assis enviou nota de esclarecimento sobre o caso da paciente. A unidade informou que:
“A paciente encontra-se em tratamento na ala Pediátrica, com acompanhamento de Médico Pediatra e equipe de Enfermagem. Tem recebido toda assistência hospitalar, com exames e medicamentos, conforme prescrição médica. A pedido do Médico Pediatra responsável, foi solicitada e está programada uma interconsulta para reavaliação de um Médico Especialista, possibilitando o prosseguimento do atendimento, de acordo com o protocolo e rede de atendimento acionada.”
O Portal AssisCity também entrou em contato com a secretária municipal de Saúde de Assis, Amanda Mailio, mas até o momento não teve retorno. Esta matéria será atualizada assim que novas informações estiverem disponíveis.

