O Conselho Regional de Enfermagem de São Paulo (Coren-SP) se manifestou oficialmente nesta sexta-feira, 25 de abril, após a ampla repercussão das reportagens do Portal AssisCity sobre a agressão sofrida por uma enfermeira durante o plantão na Unidade de Pronto Atendimento (UPA) de Assis, na madrugada de quinta-feira, dia 24 de abril.

Na ocasião, um homem de 20 anos danificou equipamentos, quebrou portas, invadiu a área a sala de triagem da UPA, empurrou a profissional contra o mobiliário e tentou agredi-la com um suporte metálico utilizado na aferição de pressão arterial, além de ameaçar outros membros da equipe médica. O paciente foi contido por outros cidadãos que aguardavam para ser atendidos e preso em flagrante pela Polícia Militar.

Em nota enviada ao AssisCity às 12h45, o Coren-SP repudiou o episódio e informou que vai entrar em contato com a profissional para oferecer acolhimento psicológico, orientações sobre a abertura de processo e a realização de um desagravo público, previsto no Código de Ética da Enfermagem como medida de reparação simbólica.

O Conselho também ressaltou que episódios de violência como esse são frequentes na enfermagem, afetando cerca de 80% dos profissionais, muitas vezes em contextos de insatisfação com o tempo de espera — um fator que, segundo o órgão, não é de responsabilidade da equipe de enfermagem, mas sim de questões estruturais e sistêmicas do serviço.

“O Coren-SP reforça que a violência compromete não apenas a saúde mental dos profissionais, mas também a qualidade da assistência prestada. É fundamental que profissionais e sociedade denunciem todos os casos às autoridades competentes, para que seja possível mensurar a gravidade do problema e formular políticas de prevenção”, destacou o Conselho.

A enfermeira agredida relatou ao Portal AssisCity que viveu “uma cena de filme de terror” e ainda não se sente segura para voltar ao trabalho. A violência sofrida por ela provocou forte comoção e revolta entre colegas de profissão, que usaram as redes sociais para desabafar. Alguns profissionais demonstraram indignação com a agressão em si, mas também com a forma como parte do público reagiu ao caso. “Eu não sei o que é pior, um cara desse quebrar a UPA, bater em uma mulher enquanto trabalhava, ou o bando de comentário de gente sem noção, machista e burra defendendo a agressão”, escreveu uma trabalhadora da saúde.

Óculos da enfermeira fico quebrado
Óculos da enfermeira fico quebrado – FOTO: Enviada ao Portal AssisCity

Outros apontaram para o sentimento de insegurança que se alastra entre os servidores da saúde, diante da falta de estrutura, valorização e investimentos. “Até quando nós funcionários vamos ter medo de trabalhar por falta de incentivo na área da saúde? Até quando a população vai sentir medo de ir no pronto atendimento? Até quando os funcionários e a população irão ser psicologicamente e fisicamente afetados?”, questionou outro profissional.

O órgão também divulgou que está realizando uma sondagem estadual com profissionais de enfermagem para mapear a violência sofrida nas unidades de saúde. O formulário está disponível no site www.coren-sp.gov.br/sondagem.

Confira as reportagens que revelaram o caso:

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