Arte e os arcanos da anima

Por Helder Modesto

Guilherme de Farias nasceu em 1942. Pintor, escritor, gravador e desenhista. Em 1963, realiza sua primeira exposição individual na Galeria Ambiente, em São Paulo.

“A Caixa Cultural São Paulo apresenta, de 17 de julho a 29 de agosto de 2010, a mostra “Guilherme de Faria – Obra Gráfica”, expondo um dos grandes ícones da gravura brasileira da década de 80 e que produziu (entre 1978 e 1993) mais de 600 edições documentadas, totalizando 83.000 litografias originais impressas a partir de matrizes em pedra litográfica”, assim diz os jornais sobre a exposição do meu amigo Guilherme de farias. Exposição que tive o imenso prazer de conferir.

Guilherme tem uma inquietação em entender a complexidade que envolve o feminino. Sua pintura e sua escrita trazem essa marca. Seu livro “A alma Welt (2008)” é uma imersão nas muitas representações desse arquétipo, é uma sondagem pelo numinoso de modo incomum. Lembrei-me de Goethe: “o eterno feminino nos conduz para frente, para o alto”. Sua pintura revela o olhar do artista que retrata o corpo, e que nele expressa movimento, desejos, mas que passa em revista as inquietudes e os conflitos ante o “eterno feminino”. O resultado dessa reflexão seria a revelação polissêmica, a integração do ser às labaredas que nos perturbam, um desespero acerca da legitimidade processual e suas múltiplas nuances, e não apenas um complexo bioquímico isolado em cada categoria sensorial. Seria o casamento entre os opostos? Com certeza. O corpo – dizia William Blake, revela seus segredos, mas até que os cinco sentidos sejam desagrilhoados, permanecemos aprisionados. Segundo Schiller, para alargar a compreensão estética, corrigir uma pré-compreeensão dada, teríamos que educar os sentidos. “Abrir as portas da percepção”, diria Blake.

Guilherme de farias é uma artista urbano, mas a sua arte não é o perfil do artista que sedimenta uma cultura urbana própria; vai além da representação visual do mundo urbano, pregado a banalização da cultura de massa, suas estereotipias… quer captar o que engloba para além da representação social. Desvelamentos!

Helder Modesto – professor de Filosofia, ambientalista e escritor

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