As tragédias continuam

Henrique H. Belinotte

Ainda ecoam as graves conseqüências da tragédia de Santa Maria, que ceifou a vida de mais de duas centenas de pessoas e mais algumas acabam de acontecer com a realização do Carnaval, a festa que toma conta do país por cinco dias.

A que mais repercute é a que ocorreu na cidade de Santos, onde quatro pessoas morreram e seis ficaram feridas depois que um carro alegórico da escola de samba Sangue Jovem, da torcida dos Santos FC, tocou em fios elétricos e pegou fogo na madrugada da terça feira, dia 12, em Santos, no litoral de São Paulo, durante os desfiles do grupo especial do carnaval da cidade.

As vítimas, três contratados pela própria agremiação, além de uma mulher que acompanhava a festa, morreram eletrocutadas. Segundo os Bombeiros, outras seis pessoas ficaram feridas e foram encaminhadas para atendimento.

Sem dúvida, parece que as coisas continuam como sempre, ou seja, as medidas são tomadas depois que muitos perdem suas vidas.

O caso do carnaval de Santos, que culminou com a morte de quatro pessoas talvez sirva de ponto de partida para que também nossas autoridades, além de fiscalizar boates e bares, passem a fiscalizar as atividades carnavalescas com mais rigor, para que fatos como o ocorrido não aconteçam mais.

O aspecto chocante e que demonstra o

despreparo e ao mesmo tempo o abuso daqueles que organizam tais atividades, está no depoimento da mulher de um dos quatro mortos durante os desfiles de carnaval em Santos que afirma ter ficado revoltada com a falta de proteção para o trabalho dos ajudantes no carnaval. Diz ela,”Tinha que ter luva, tinha que ter tudo que protegesse o corpo de acidentes. Não foi pensado antes”.

Realmente o depoimento de uma pessoa que está vivendo na pele a tragédia anunciada, diante da falta de responsabiidade, de fiscalização, de cuidados e principalmente do mínimo de respeito a condição humana. E como sempre, “nada foi pensado antes.

É fato que agora não adianta o Prefeito, o homenageado, os organizadores pedirem desculpas pela tragédia, quando poderiam perfeitamente evitá-la ou mesmo minimizá-la a ponto de evitar a morte de pessoas simples, trabalhadoras e que tiveram suas vidas ceifadas pela irresponsabilidade de muitos.

Essas grandes tragédias previsíveis só serão evitadas quando forem responsabilizados, principalmente os donos dos eventos, os governantes, as autoridades, os organizadores etc.

Enquanto isso não acontecer, infelizmente, as tragédias brasileiras vão continuar. Até mesmo no carnaval.

*Henrique H. Belinotte – advogado – Escritório Belinotte & Belinotte advogados.

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