JUSTIÇA FISCAL: A NOVA ISENÇÃO DO IR

A promessa de campanha do presidente Lula foi aprovada pela Câmara Federal. O projeto de lei isenta do Imposto de Renda aqueles que ganham até R$ 5 mil e garante isenção parcial para os que recebem até R$ 7.350, beneficiando cerca de 16 milhões de trabalhadores.

A perda na arrecadação será de cerca de R$ 31 bilhões por ano, e a compensação será cobrada daqueles que ganham mais de R$ 50 mil por mês. O Projeto de Lei agora segue para o Senado.

A medida busca justiça fiscal, reduzindo a carga sobre trabalhadores da faixa média-baixa e média.

IMPACTOS LOCAIS: O CASO DE ASSIS

Em Assis, cidade de médio porte, existem cerca de 33 mil trabalhadores em postos de trabalho formais recebendo em média R$ 3,6 mil por mês. Milhares de assisenses deixarão de pagar o IR, o que impactará positivamente o consumo, os serviços locais e a compra de bens — injetando fluxo econômico direto no município.

A nova isenção irá beneficiar trabalhadores assisenses que conseguiram aumentar suas rendas a partir da abertura de mercado no município.

A cidade abriu seu mercado para grandes organizações nacionais tardiamente. Os anos de 1996 e 2003 marcaram a instalação de duas empresas do ramo do varejo na Avenida Rui Barbosa. Em 2007, foi a vez da chegada de uma grande rede de hipermercados próximo ao Jardim Europa, oferecendo um novo conceito de compras com lojas diversificadas e praça de alimentação aos moldes dos grandes centros.

Foi o rompimento com o domínio das oligarquias locais. A concorrência fez com que empresas de supermercados se movimentassem, em uma verdadeira corrida para reformarem e modernizarem suas lojas obsoletas, além da abertura de novas unidades seguindo o modelo trazido pelos forasteiros.

A partir de então, houve uma onda de empresas de abrangência nacional se instalando na cidade.

Os empregos gerados por essa expansão movimentaram a economia local. Trabalhadores tiveram acesso a novos postos de trabalho e melhores salários, que agora se beneficiam da nova lei do IR.

O PESO DA HISTÓRIA E A CONCENTRAÇÃO DE RENDA

Trata-se de uma das maiores medidas em benefício dos mais pobres em um país que foi construído sobre o trabalho escravo. A ideologia escravocrata fez com que as elites se opusessem historicamente a qualquer medida em favor das classes baixas, como o salário mínimo, o décimo terceiro ou o direito às férias.

Essa lógica alimentou um paradoxo: o Brasil é um dos países mais ricos do mundo, com PIB de US$ 2,18 trilhões, riquezas naturais e forte capacidade produtiva, mas convive com uma desigualdade brutal que atravessa governos e séculos.

EDUCAÇÃO, SALÁRIO E MOBILIDADE SOCIAL

No Brasil, trabalhadores com ensino superior completo têm média salarial de aproximadamente R$ 7 mil, enquanto aqueles sem nível superior apresentam média de R$ 2,5 mil.

Essas diferenças mostram que políticas de isenção até R$ 5 mil reforçam a importância de o Estado brasileiro promover possibilidades de mobilidade social. A educação é um diferencial decisivo, mas a tributação mais justa é um aliado fundamental para dar fôlego aos que buscam ascender socialmente.

A VALORIZAÇÃO DO TRABALHADOR

A nova política de isenção do Imposto de Renda representa um passo relevante para corrigir distorções históricas na carga tributária brasileira. Ela não resolve sozinha a desigualdade estrutural, mas sinaliza um movimento de redistribuição que pode transformar, ainda que gradualmente, o cotidiano de milhões de famílias.

Em Assis, como em todo o Brasil, trata-se de mais do que uma questão econômica: é um gesto político que reconhece a dignidade do trabalhador e sua centralidade no desenvolvimento nacional.

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