A Associação dos Plantadores de Cana da Média Sorocabana (Assocana) inicia nos próximos dias um trabalho de campo para avaliar os possíveis danos causados pela geada registrada nos dias 24 e 25 de junho no Vale do Paranapanema. A análise será feita por técnicos da entidade, que destacam que os sintomas nem sempre são visíveis de imediato, sendo necessário aguardar de 7 a 10 dias para um diagnóstico mais preciso.

Os efeitos das temperaturas extremamente baixas podem variar desde a queima de folhas até a morte das gemas apicais e laterais da planta, comprometendo seu desenvolvimento. Regiões afetadas costumam apresentar, inicialmente, aparência aquosa, seguidas pela invasão de fungos e bactérias. Quando apenas a gema apical é atingida, a planta tende a brotar das gemas inferiores, gerando o chamado “envassouramento”.

Área rura de Assis amanhaceu congelada - FOTO: Fábio Crepaldi/Enviada ao Portal AssisCity
Área rural de Assis amanhaceu congelada no dia 25 de junho – FOTO: Fábio Crepaldi/Enviada ao Portal AssisCity

Segundo a Assocana, a decisão de colher ou não os canaviais deve ser baseada em avaliação técnica criteriosa. Cortes antecipados podem provocar ainda mais perdas, especialmente em áreas com cana de ano e talhões que foram colhidos a partir de agosto de 2023, e que ainda não atingiram o ponto ideal de maturação.

Dois caminhos são considerados para a colheita nas áreas atingidas:

  1. Colheita total das áreas danificadas, o que exigiria grande esforço logístico;
  2. Liberação gradual das áreas, priorizando as canas mais maduras e mais afetadas, conforme análise técnica.

A logística de retirada da cana cabe às usinas, conforme suas capacidades e particularidades operacionais.

Reflexos imediatos previstos para 2025 incluem:

  • Perda de qualidade da matéria-prima;
  • Redução da produtividade ao final da safra;
  • Falta de mudas de boa qualidade para o plantio;
  • Maior pressão de ervas daninhas;
  • Desequilíbrio no manejo de corte;
  • Possível necessidade de rebaixamento de áreas;
  • Adubação suplementar com nitrogênio em canas que perderam massa verde.

Para 2026, os impactos esperados são:

  • Mudas mal desenvolvidas no período de plantio;
  • Matéria-prima imatura no início da próxima safra (abril a junho);
  • Redução na produtividade dos canaviais novos e das soqueiras afetadas.

Vale lembrar que a frente fria anterior, registrada entre os dias 29 e 30 de maio, não provocou danos significativos aos canaviais da região, segundo o Departamento Agrícola da Assocana.

A equipe técnica da associação continua acompanhando a situação e manterá os produtores informados conforme os levantamentos forem sendo concluídos. Todas as informações são do Departamento Agrícola da Assocana e do Grupo IDEA.

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