A cidade de Assis marcou um momento histórico em 1º de janeiro de 2025, com a posse de Telma Spera como a primeira mulher a ocupar o cargo de prefeita em 119 anos de história do município. Apesar do feito inédito no Executivo, o histórico feminino na política de Assis ainda reflete um caminho de desafios: Telma é apenas a décima primeira mulher a alcançar um cargo na administração pública local.

Prefeita Telma Spera, ao lado de Alexandre Cachorrão - Foto: Portal AssisCity - Portal AssisCity

Ao longo das últimas décadas, nove mulheres ocuparam assentos no Legislativo de Assis, um número pequeno diante das 19 legislaturas desde a fundação da Câmara Municipal como a conhecemos, em 1948, quando também foi realizada a primeira eleição direta para prefeito após o fim da Ditadura de Getúlio Vargas, sendo José Augusto Ribeiro o vencedor.

Antes de 1930, os municípios eram dirigidos pelos presidentes das câmaras municipais, também chamados de agentes executivos ou intendentes. Foi somente após a Revolução de 1930 que houve a separação dos poderes municipais em Executivo e Legislativo. A trajetória dessas mulheres, no entanto, foi marcada por iniciativas pioneiras e relevantes para a cidade.

[h4]A trajetória das mulheres na política de Assis[/h4]

De acordo com o site da Câmara Municipal de Assis, que possui uma página especial chamada “Galeria das Vereadoras, primeira mulher a ocupar um cargo na Câmara de Assis foi a Dra. Ana Barbosa, eleita para a 4ª legislatura (1960-1963). Ana foi uma figura marcante: primeira advogada da cidade, professora e vereadora, sua carreira foi interrompida por uma morte prematura antes das eleições estaduais de 1962, nas quais concorria ao cargo de deputada.

Propaganda política com a campanha de Dra Ana Barbosa - FOTO: Reprodução/A Gazeta de Assis, 19 de de setembro de 1959, p.2 - Reprodução

Depois de Ana Barbosa, a representatividade feminina na Câmara sofreu uma lacuna de mais de 25 anos. Somente na 10ª legislatura (1989-1992) o município elegeu novamente mulheres, e em número recorde: três ao mesmo tempo. Irene Ribeiro Salotti, Maria Nogueira Pimentel Fonseca e Isabel Cristina Moreli Bertogna marcaram presença. Isabel, inclusive, foi reeleita na legislatura seguinte, mantendo-se ativa até 1996.

De lá para cá, outras mulheres deixaram suas marcas no Legislativo. Na 12ª legislatura (1997-2000), duas mulheres foram eleitas para a Câmara, Marly Lucia Camargo e Maria Esmeralda Nascimento Martins, que regulamentou o serviço de moto-táxi. Isabel Cristina retornou na 13ª legislatura (2001-2004), garantindo gratuidade de ingressos para idosos no cinema local. Ana Santa Ferreira Alves (2009-2012) destacou-se por seu trabalho em saúde e educação, enquanto Elizete Mello da Silva, a Professora Dedé (2017-2020), teve um mandato muito ligado à questões sociais e de cidadania, criando diversas leis voltadas para a proteção da mulher, protagonismo da mulher na política, garantia de direitos para pessoas no espectro autista e medidas de combate à evasão escolar.

Na legislatura anterior (2021-2024), Viviane Del Massa e Vanessa Eugênio representaram a força feminina. Viviane, presidente da Câmara em 2023, propôs medidas voltadas à proteção de jovens LGBTQIA+ e combate à LGBTfobia. Vanessa, por sua vez, atuou como secretária municipal de Assistência Social.

Montagem com Dra. Ana Barbosa, Isabel Cristina Moreli Bertogna, Ana Santa Ferreira Alves, Professora Dedé, Viviane Del Massa e Vanessa Eugênio; não há arquivo fotografico disponível das demais vereadoras - FOTO: Reprodução - Reprodução

[h4]Um legislativo sem mulheres[/h4]

Apesar do protagonismo tímido de mulheres como legisladoras, a 19ª legislatura da Câmara Municipal de Assis, inaugurada no dia 1º de janeiro de 2025, traz um dado preocupante: não há nenhuma mulher eleita. Este é o primeiro ciclo legislativo sem representação feminina desde 2017, um reflexo da sub-representação persistente nos espaços de poder.

A ausência de mulheres no Legislativo assisense contrasta com o avanço histórico da eleição de Telma Spera como prefeita, destacando a necessidade de fomentar políticas públicas que incentivem a participação feminina na política local.

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