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Padres de Assis são condenados pelo Vaticano e perdem a batina após serem acusados de abuso sexual e estupro

Documento foi expedido na última segunda-feira, dia 18 de março, 3 anos após as denúncias terem sido feita

Redação AssisCity

  • 21/03/24
  • 18:00
  • Atualizado há 8 semanas

Em um documento enviado pelo Tribunal Interdiocesano de Botucatu, e que foi expedido diretamente do Vaticano, na Itália, tornou público na última segunda-feira, dia 18 de março de 2024, que os ex-cléricos Oldeir José Galdino e Maurílio Alves Rodrigues foram oficialmente condenados pela Igreja Católica após serem denunciados por estupro e abuso sexual em 2022.

Divulgação - Padres de Assis (Oldeir e Maurilio na foto) são condenados pelo Vaticano e perdem a batina após serem acusados de estupro e abuso sexual  - FOTO: Divulgação
Padres de Assis (Oldeir e Maurilio na foto) são condenados pelo Vaticano e perdem a batina após serem acusados de estupro e abuso sexual - FOTO: Divulgação

A carta também indica que os acusados foram demitidos de todas as suas funções eclesiásticas. Ainda de acordo com o documento, uma notificação foi encaminhada ao bispo diocesano Dom Argemiro de Azevedo, da Diocese de Assis, no último dia 8 de março, quando foi concluída, após 3 anos e 2 meses desde a denúncia.

Para o ex-seminarista que hoje tem cerca de 40 anos e na época, tinha 16 anos, receber a carta significou poder retomar sua vida de volta. "Eu sinto que agora sou livre para respirar, como se estivessem me amarrado por todos esses anos, não é apenas uma decisão judicial, mas uma reparação histórica por todo esse tempo em que me senti mal por mim mesmo, em que enfrentei uma dura depressão, ainda que o efeito tenha sido apenas na esfera eclesiástica. Hoje posso dizer que tudo valeu a pena", contou a vítima.

As acusações são dos anos de 2002 a 2004, e a denúncia foi feita em janeiro de 2021. "Após anos sofrendo calado, doente e passando por tratamento psiquiátrico e psicológico, tive coragem de procurar o Portal AssisCity e denunciar o abuso sexual que sofri", diz o ex-seminarista. Ainda em 2022, os padres também foram denunciados na justiça comum, no entanto os crimes prescreveram e não puderam ser investigados e julgados.

Em 31 de maio de 2022, a Diocese de Assis expediu uma medida cautelar que afastou os dois padres que abusaram sexualmente do ex-seminarista quando o mesmo tinha apenas 16 anos. Através da medida, os acusados ficaram proibidos de exercer o ministério sacerdotal até que os processos fossem devidamente concluídos e arquivados pelo Vaticano.

O Portal AssisCity entrou em contato com o bispo diocesano de Assis, Dom Argemiro de Azevedo, que não quis comentar o assunto. "O documento foi enviado às partes e é isso que posso confirmar", disse. Os agora ex-cléricos Oldeir Galdino e Maurílio Rodrigues também foram procurados pela reportagem para comentar a condenação, mas não obtivemos respostas até o momento.

Repercussão nacional

Este caso de Assis foi um dos milhares relatados no livro-reportagem "Pedofilia na Igreja - Um Dossiê Inédito Sobre Casos de Abusos Envolvendo Padres Católicos no Brasil", dos jornalistas Fábio Gusmão e Giampaolo Morgado Braga, lançado em 2023.

O documento assinado pelo vigário judicial, o padre doutor Carlos Roberto Santana da Silva, datado da última segunda (18), informa que os
O documento assinado pelo vigário judicial, o padre doutor Carlos Roberto Santana da Silva, datado da última segunda (18), informa que os "ex-clérigos" Oldeir José Galdino e Maurílio Alves Rodrigues "foram considerados condenados e demitidos do estado clerical".

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