A violência contra as mulheres é um problema crescente. Dados do Instituto de Pesquisa DataSenado, que realizou a Pesquisa Nacional de Violência contra a Mulher, revela que 3,7 milhões de brasileiras sofreram algum tipo de violência doméstica ou familiar em 2025.
A psicóloga Giovana Lima (CRP 06/178019), que atende mulheres que sofrem com esses desafios em Assis, conversou com o AssisCity e destacou a complexidade da situação.

Foto: Arquivo Pessoal
Atualmente, muitas mulheres enfrentam uma carga pesada. Elas trabalham, cuidam da casa, dos filhos e dos relacionamentos, levando a uma sobrecarga emocional significativa. “Os principais fatores que contribuem para a depressão são a sobrecarga. Na atualidade, nós vemos as mulheres trabalhando e tendo que dar conta de casa, do marido, dos filhos. Assim, elas vêm com muita sobrecarga, principalmente a sobrecarga em relação à maternidade.” Explica Giovana
Ela também fala sobre a culpa que muitas mulheres sentem: “Em relação à maternidade, a mulher já é muito culpada, e às vezes esse parceiro usa essa culpa para moldar um relacionamento abusivo. Então, essa questão da culpa é algo que pega bastante.” Detalha a psicóloga.

Foto: Arquivo Pessoal
Sinais de Alerta
A profissional alerta para os sinais de que uma mulher pode estar adoecendo, como a perda de interesse em atividades prazerosas e a irritabilidade. “Os sinais de alerta da depressão e baixa autoestima estão ali; às vezes, as mulheres param de fazer coisas que antes eram prazerosas para elas. Antes, elas gostavam muito de ir à academia ou sair com as amigas, e agora elas têm reduzido isso, se recolhido.” Destaca Giovana.
Ciclo da Violência
A psicóloga também explica o ciclo de violência. Onde o agressor se apresenta inicialmente como um parceiro ideal. “Esse abusador é um gentleman, um parceiro perfeito que se apresenta como o melhor pai do mundo. Depois, ele tensiona o ambiente, com frases soltas ou de forma mais direta. A mulher começa a ter receio de ser quem ela é, evitando roupas ou conversas que possam deixar o parceiro irritado.” Conta a profissional
Giovana também explica a violência psicológica: “Esse indivíduo pode usar o termo ‘gaslight’, onde a mulher fala: ‘Você me disse isso’, e ele responde: ‘Não, não falei. Você está ficando louca’. É uma manipulação que prejudica a saúde mental.”
Giovana Lima, recomenda que as mulheres busquem apoio: “É importante termos a nossa individualidade. Eu posso me relacionar de forma saudável, mas também preciso ter meu espaço, como ir à academia e ter um círculo de amigas. Isso ajuda a lembrar quem você é.”

Foto: Arquivo Pessoal
Novas Políticas e Conscientização
Em 2025, o enfrentamento à violência contra as mulheres avançou com a criação de novas leis que ampliam a proteção às vítimas, fortalecem as medidas protetivas e tornam mais rigorosa a responsabilização dos agressores. As mudanças acompanham novas formas de violência, inclusive aquelas praticadas com o uso de tecnologias digitais, e reforçam o compromisso do Estado com a prevenção, a segurança e a garantia de direitos das mulheres.
Entre as principais leis sancionados em 2025, destacam-se:
- Lei 15.123 – aumenta a pena para o crime de violência psicológica quando praticado com uso de inteligência artificial;
- Lei 15.125 – autoriza a monitoração eletrônica do agressor durante o cumprimento de medidas protetivas;
- Lei 15.160 – proíbe a redução do prazo de prescrição em crimes de violência sexual;
- Lei 15.280 – agrava as penas para crimes contra a dignidade sexual e amplia medidas protetivas, incluindo a monitoração do agressor.
A luta contra a violência e pela saúde mental das mulheres é um desafio contínuo. Como Giovana ressalta, “é essencial que as mulheres busquem apoio e se cercam de pessoas que as lembrem de sua força e valor.” A conscientização e a ação conjunta são cruciais para criar um futuro mais seguro e saudável para todas.

Foto: Waldemir Barreto/Agência Senado
Se você ou alguém que você conhece está passando por essa situação, é fundamental procurar ajuda. O apoio psicológico pode fazer toda a diferença.
Mulheres que sofrem violência doméstica ou de gênero podem e devem buscar ajuda. No Brasil, há canais gratuitos, sigilosos e disponíveis 24 horas:
Canais de ajuda imediata
- Central de Atendimento à Mulher – Ligue 180
Funciona 24 horas, todos os dias. Oferece orientação, registra denúncias e encaminha para a rede de proteção da sua cidade. - Emergência – Ligue 190 (Polícia Militar)
Em caso de risco imediato ou agressão em andamento. - Aplicativo “Direitos Humanos Brasil” (denúncias online)
- Disque 100 – para violações de direitos humanos
Onde procurar apoio presencial
- Delegacia de Defesa da Mulher (DDM) ou qualquer delegacia comum
- Defensoria Pública – para orientação jurídica gratuita
- Unidades de saúde – hospitais e postos de saúde podem acolher e encaminhar
Importante: a denúncia pode ser feita de forma anônima, e a mulher tem direito a medidas protetivas previstas na Lei Maria da Penha.










