A Polícia Federal deflagrou na manhã desta quinta-feira, dia 7 de julho, em Assis, Paraguaçu Paulista e São Paulo, a Operação Valletta, voltada a cumprir quatro mandados de prisão preventiva e sete mandados de busca e apreensão expedidos pela Justiça Federal de Assis.
As investigações revelaram a existência de uma organização criminosa entre os sócios da Cervejaria Malta e os sócios das empresas Corner Beer Distribuidora de Bebidas, Distribuidora de Bebidas Oeste Beer, COC Transporte de Cargas e VMX Distribuidora de Bebidas. Como apontado pelas investigações, a organização criminosa visava fornecer, através de empresas de fachada, estrutura patrimonial, empresarial, contábil e bancária para que a Cervejaria Malta continuasse a produzir, vender e sonegar tributos.
Boa parte dos automóveis utilizados pela Cervejaria Malta estão registrados em nome de empresas de fachada ou de terceiras pessoas, enquanto que o dinheiro oriundo de sua exploração comercial e industrial circulava perante contas bancárias das empresas de fachada para dificultar a fiscalização das autoridades.
Utilizando essa técnica, a Cervejaria Malta protegia seus recursos financeiros e sua estrutura empresarial das constrições judiciais decorrentes da enorme dívida fiscal e trabalhista que possui e, ao mesmo tempo, continuava normalmente desempenhando suas atividades e sonegando tributos em escala cada vez maior e de forma reiterada e ininterrupta.
Dos quatro presos preventivamente, um é advogado, de São Paulo; um contador; de Paraguaçu Paulista; e dois de Assis, sócios da Corner Beer.
Foi apurado pelas investigações, ainda, que as pessoas físicas e jurídicas ligadas à Cervejaria Malta movimentaram cifras milionárias no valor de R$100 milhões nos últimos anos sem declarar à Receita Federal ou apresentaram evolução patrimonial incompatível com a renda declarada, ou seja, ativos financeiros milionários sem lastro lícito. Essa estrutura criminosa, segundo as investigações, atua pelo menos desde 2006 e adotava, como outro mecanismo de dificultação das fiscalizações, a constante e rápida alteração dos nomes e dos objetos sociais das empresas “fantasmas” envolvidas.
As investigações têm por foco, agora, revelar, em suas próximas fases, outros integrantes da organização criminosa e desvendar, também, crimes de lavagem de dinheiro e de estelionato contra União, além dos delitos de organização criminosa e de falsidade ideológica já revelados.
Também fora efetivada contra os investigados a medida cautelar de sequestro de bens e valores destinada a assegurar o ressarcimento dos danos causados aos cofres públicos nessa década de atuação da organização criminosa.
Os novos presos farão, agora, companhia aos corréus Fernando Machado Schincariol e Caetano Schincariol Filho, apontados como chefes da organização criminosa e presos preventivamente desde 25 de abril de 2016.
A reportagem não conseguiu acesso aos advogados dos envolvidos e deixa o espaço aberto para se manifestarem.

Polícia Federal durante Operação Valleta em Assis










