19 de Outubro de 2018
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Amor Eleitoral

COLUNISTA - Márcio Alexandre

Na atualidade existem vários amores. Um bem popular são os platônicos, mas também temos os de carnaval, os de verão e, por fim, se apresenta outra modalidade de amor – o amor eleitoral.

O amor eleitoral tem o seguinte perfil: nas eleições as pessoas são aliadas, francas multiplicadoras de votos. Pouco depois do período eleitoral, muito pouco mesmo, questões de meses, algumas pessoas outrora aliadas estão se alfinetando. Mal e mal se conversam. Abandonam o partido o qual defendiam ferrenhamente e migram para outro.

Há, ainda, aqueles que trabalharam para determinado candidato. Mas, esse não ganhou. Então ele se apoia no primeiro eleito que aparecer.

Nos amores eleitorais, normalmente, as pessoas têm grandíssimos interesses financeiros em benefício próprio. No período pré-pleito é assessor do candidato, escreve artigo aos jornais defendendo a idoneidade e competência do político aliado naquele momento. Após a passagem da eleição, passa também a afeição, a admiração e o respeito.

Esse é o amor eleitoral. Dura apenas uma campanha. E, normalmente, esses amores não são vividos por políticos de ofícios que ocupam cargos eletivos, são francos atiradores que querem angariar recursos.

Poxa! Se há seis meses trabalhou para um candidato é porque acreditava no seu potencial e essa admiração não acaba em um semestre. Pode haver decepção, mas, o respeito tem que continuar e não é isto que vejo nos amores eleitorais.

Nesse mesmo viés de amor eleitoral, lendo o Evangelho de Marcos, capítulo 6, versículos de 17 a 26, que narra o martírio de São João Batista. O escritor bíblico conta que Herodes prendera João Batista que denunciava o adultério do monarca com sua cunhada, Herodíades, esposa de seu irmão Felipe. Herodes temia fazer algo contra João, pois conhecia a sua santidade e justiça. Certa vez, o carrasco fez um banquete, no qual a filha de Herodíades dançou e agradou a todos. O rei disse à moça: "Pede-me o que quiseres e te dou, até metade do meu reino”. A moça, aconselhada pela mãe, pediu a cabeça de João Batista. Analogicamente, nos amores eleitorais, existem banquetes, ou seja, grandes festas nos períodos de campanhas. Os candidatos são como Herodes, que promete aos aliados dar o que eles quiserem, desde secretarias, cargos, empregos, e inúmeros favores em troca do apoio. Os aliados, uma vez no governo, pedem "cabeças” das pessoas, perseguem funcionário de carreira por terem sido oposição, mandam e desmandam na administração.

Essas argumentações não têm nenhuma profundidade teológica e sim filosófica, política e reflexiva.

A moral é que os políticos em períodos eleitorais se aliam até com o pior inimigo e depois pagam um preço alto.

Na verdade, quem paga são os contribuintes, pois, os desmandos estão expostos para quem quiser ver.

As aberrações acontecem nos três níveis da federação (município, estado e país), mas, o contexto municipal é mais próximo da nossa realidade, por isso usamos exemplos bairristas.

O cantor de sertanejo romântico, Eduardo Costa, tem a música Coração Aberto composta em parceria com Alex Freitas. No refrão ele cantaliza: "Me dê uma chance de explicar/ O quanto eu amo você/ Não é amor de carnaval/ O meu amor é real/ Você tem que entender”. Parafraseando o sertanejo concluo: "Me dê uma chance de explicar/ O quanto eu amo você/ Não é amor eleitoral/ O meu amor é real/ Você tem que entender”. Antes de se aliar com alguém veja se esse amor é real ou eleitoral.

Cuidado com os amores eleitorais!

COLUNISTA - Márcio Alexandre
Márcio Alexandre
É professor na rede pública de ensino
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